Ao ler um livro, é importante  saber qual é o propósito dele. O objetivo primordial do Livro de Mórmon é “trazer almas a Cristo”, apresentar às pessoas o caráter e os atributos de Jesus Cristo e ensinar os princípios de Seu evangelho. Quando as pessoas se esforçam para viver o evangelho de Jesus Cristo e seguir o Seu exemplo, elas recebem a promessa de vida eterna e exaltação. Neste artigo, vamos examinar um episódio do Livro de Helamã e a Moral encontrada nele.

Outra chave primordial para a compreensão do Livro de Mórmon, é o fato de que foi escrito por um profeta, vidente e revelador para os nossos dias. O profeta editor Mórmon viu, com detalhes surpreendentes, e entendeu bem este mundo contemporâneo. Seu propósito, ao agir sob inspiração divina, foi nos ensinar o que é necessário e como viver como discípulos de Jesus Cristo hoje.

Histórias com Moral

À luz disso, o Livro de Mórmon é um amplo conto de moralidade, uma história ou narrativa da qual pode-se derivar uma moral sobre certo e errado. É assustadoramente preciso em seu retrato das condições que, em muitos aspectos, se aplicam às condições de nossos dias. Enquanto há muito simbolismo no Livro de Mórmon, ele também é eminentemente prático: Como podemos viver em tempos de guerra endêmica? Quais práticas comunitárias garantirão sociedades seguras e estáveis? Como os discípulos devem agir quando são traídos, ridicularizado, odiados ou quando são amados, reverenciados ou quase deificado por todos ao seu redor?

Em meio a crescentes níveis de incivilidade, ódio e maldade, lembrei-me de certas características identificadas no Livro de Mórmon que, se respeitadas, prometem uma mais igualdade, liberdade, proteção e segurança. Por outro lado, observamos indivíduos mal intencionados e os comportamentos e as práticas que empregam para usurpar o arbítrio dos outros, exercer poder e autoridade sobre os outros e privá-los de seu direito inato divino à liberdade.

Exemplo de Liberdade e Arbítrio no Livro de Helamã

O Livro de Helamã é ilustrativo e aborda estes assuntos. O capítulo 1 começa durante um tempo de contendas, insurreições e distúrbios civis. Paorã é escolhido, entre ele e seus dois irmão, pela voz do povo, para ser o juiz supremo e governador da terra. Pacumêni acata a vontade do povo. Seu irmão, Paânqui fica “irado” e pretende “lisonjear” os outros para se juntar a uma rebelião “para destruir a liberdade do povo”. Quando foi descoberto, ele foi preso, condenado e executado (ver Helamã 1:1-9).

Os leitores observam que incentivar a desunião e recusar-se a aceitar as decisões do povo, conforme determinada por lei, representa uma ameaça para a segurança de uma nação. Por outro lado, cumprir leis equitativas e justas fornece a melhor defesa contra os tiranos.

O Bando Secreto

Enquanto Paânqui sofreu uma morte desonrosa, seus seguidores continuam a procurar o seu fim agindo fora da lei. Um deles, Quiscúmen, vai até a cadeira de juíz e assassina Paorã. Depois de fugir, ele e outros insurgentes fazem uma aliança secreta, erroneamente jurando diante de Deus, que esconderão  seu ato assassino e matar outras pessoas que se colocassem no caminho de seus objetivos maus. Eles voltam para a comunidade e “misturaram-se com o povo, de maneira que não puderam encontrar todos” (Helamã 1:12).

Eles não se esconderam. Eles se incluem na sociedade em geral. Eles se socializam, trabalham e são, na maioria das formas, indistinguíveis dos outros. Eles seguem a vida como se não fossem dissidentes mal-intencionados que buscam a destruição dos outros. Lobos em pele de cordeiro, eles fingem, sem respeito pelos direitos dos outros.

Estes malfeitores eram uma ameaça significativa à liberdade e à segurança da comunidade, que considerou seus atos graves e agiu rapidamente — “todos os que foram encontrados foram condenados à morte” (Helamã 1:12).

As Características dos Inimigos da Lei e da Liberdade

No segundo capítulo de Helamã, os leitores são lembrados novamente de que esses dissidentes não têm nenhum escrúpulo contra assassinar os outros. Aprendemos que eles são coniventes e pacientes. Quiscúmen espera mais de dois anos, e quando Helamã, filho de Helamã, toma o assento vago de juiz, tendo sido escolhido de acordo com a lei nefita, Quiscúmen, “apoiado por seu bando”, estabelece um plano para assassiná-lo.

Nessa época, os conspiradores maus são liderados por Gadiânton, um homem que é “hábil no falar” — convincente quando fala, mas que é um enganador e, certamente, um mentiroso. Ele é especialista em “levar a efeito planos secretos de assassinatos e pilhagens”. Ele é mestre em ser “lisonjeiro”, ou seja, elogiar excessiva e enganosamente e fazer promessas a fim de promover seus próprios interesses. Ele não se importa com o bem dos outros ou os interesses da sociedade. Ele pretende suplantar o estado de direito para obter poder e oprimir outros. Seus seguidores são semelhantes e ele mantém o seu apoio, prometendo-lhes “conceder àqueles que pertenciam ao seu bando poder e autoridade sobre o povo” (Helamã 2:5).

Quando a tentativa de Quiscúmen de assassinar Helamã dá errado e Quiscúmen é morto, Gadiânton e seus seguidores fogem — por enquanto.

Liberdade vs. Ser Livre

 

Há um ditado que diz: “Ter liberdade não é ser livre”. Ela deve ser cuidadosamente guardada — na sociedade nefita e em nossos dias. Qual é o grau de realidade e perigo dessas ameaças? Mórmon explica: “mais sobre esse Gadiânton será exposto adiante. (E eis que no fim deste livro vereis que esse mesmo Gadiânton veio a ser a causa da ruína, sim, da destruição quase completa do povo de Néfi” (Helamã 2:12-13).

O relato dos mal-intencionados “ladrões de Gadiânton” é apenas uma entre muitas poderosa histórias de moralidade no Livro de Mórmon. Faríamos bem se estudássemos cuidadosamente e aplicássemos os princípios orientadores do Livro de Mórmon em nossa vida hoje.

Escrito por Kristine Frederickson e traduzido por Luciana Fiallo Alves

Fonte: www.deseretnews.com

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