A memória magnífica do Presidente Thomas S. Monson deteriorou-se no final de sua vida, criando um grande desafio para um homem venerado como um profeta por 16 milhões de mórmons. “Ele era um homem que gostava de criar memórias”, a filha do presidente, Ann Monson Dibb disse sexta-feira. “E é por isso que foi tão triste, porque ele teve essa crença e o conhecimento a vida toda — que ‘Deus nos dá as memórias para que tenhamos alegrias nas épocas de tristeza da vida’ — e então suas memórias foram tiradas.

“Este foi o teste de Tom Monson.”

Um homem grande, enérgico, com presença marcante e um baluarte na liderança da igreja por mais de meio século, o Presidente Monson morreu pacificamente na terça à noite em Salt Lake City aos 90 anos de causas incidentes à idade. Ele passou a última década como presidente de A Igreja de Jesus Cristo de Santos dos Últimos Dias e um total de 54 anos na Primeira Presidência e no Quórum dos Doze Apóstolos da Igreja.

Dibb, uma de seus três filhos, descreveu seu pai como peculiar, “um homem que trabalha a todo vapor” durante uma entrevista exclusiva comovente, na sexta-feira. Mas disse que mesmo que sua memória e a saúde pioraram, ela se certificou que ele poderia continuar a fazer o que fez a vida toda— visitar os doentes, os solitários e aqueles que precisavam de inspiração.

A filha do Presidente Thomas S. Monson, a irmã Ann Dibb, segunda conselheira na Presidência Geral das Moças (centro) e o marido, Roger, na celebração cultural para o Templo de Twin Falls, em 23 de agosto de 2008.

“Tom Monson precisava daquilo porque o deixava feliz”, disse Dibb, que serviu como conselheira na Presidência Geral da Moças da Igreja de 2008-2013. “Era importante para ele. (…) A coisa mais valiosa que fiz com meu pai no final foram visitas pessoais. Há uma beleza e também um poder naqueles momentos, porque ele fez a diferença.”

Memória marcante

Dibb contou a história sobre a lenda de que o Presidente Monson decorava seus discursos.

Quando garoto de 12 ou 13 anos de idade em uma congregação no lado oeste de Salt Lake City, ele preparou um discurso e o leu na igreja. Depois, um líder do sacerdócio local disse-lhe que o discurso havia sido maravilhoso, mas que da próxima vez, ele precisava memorizá-lo.

“Todos os discursos que ele fez depois daquele foram memorizados”, Dibb disse. “Até que ele se juntou à Primeira Presidência (em 1985) e teve que dar vários discursos em toda conferência geral.”

Uma vez, quando os líderes da Igreja não conseguiam enviar materiais para os membros por trás da cortina de ferro, ele aprendeu de cor o todo manual de instruções para os líderes. Então ele viajou para a Alemanha Oriental e começou a digitá-lo, mas encontrou uma cópia de um manual na sala.

Contudo, no final da vida, ele lutava para lembrar se já tinha contado uma história ou dado um discurso. Ele começou a repetir as coisas e até mesmo reiniciava conversas de vez em quando.

“A memória dele foi incrível ao longo dos anos, e ele perdeu essa capacidade”, Dibb disse. “Foi difícil presenciar. Doía porque não gostaria de ser reconhecido daquela maneira”.

Um porta-voz da Igreja disse em abril de 2015 que o Presidente Monson estava sentindo os efeitos da idade avançada. Ele cortou a carga de discursos de quatro para dois na conferência geral da religião. Em outubro daquele ano, ele estava visivelmente enfraquecido durante um de seus discursos na conferência. Ele começou a fazer discursos mais curtos. Em dezembro daquele ano, outro líder da igreja disse que a memória de curto prazo do Presidente Monson não era mais como antes.

Em abril de 2017, o Presidente Monson falou na conferência geral pela última vez. Ele foi hospitalizado no dia seguinte e não apareceu mais publicamente. Seus dois conselheiros na Primeira Presidência e o Quórum dos Doze Apóstolos cuidaram dos assuntos do dia a dia da Igreja, exibindo a redundância do sistema de liderança da Igreja SUD, que garante a continuidade quando um presidente da igreja está doente, incapacitado ou morre.

Durante este tempo, Dibb ajudou o Presidente Monson para que ele pudesse continuar falando em funerais, visitando os doentes e ser útil.

A filha do Presidente Thomas S. Monson, a irmã Ann M. Dibb, saindo com ele do Centro de Conferências em Salt Lake City após a sessão da manhã de domingo da Conferência Geral Anual SUD número 187, no sábado domingo, 2 de abril de 2017.

Bom ânimo

Sua saúde fraca — ele tinha um marca-passo — e memória falha foram verdadeiros desafios para ele, disse Dibb.

“Seu serviço e seu trabalho o definiam. Eram sua identidade. Foi, também, de onde ele conseguiu sua energia. Com várias coisas retiradas dele em sua habilidade para fazer as coisas, ficou difícil para ele saber o que fazer em seguida porque aquela era a vida dele, quem ele era e o que lhe trazia alegria.”

Ela percebeu que era importante para ele continuar servindo.

“Era o que lhe deixava com bom ânimo”, disse Dibb. “Era extremamente importante para ele ter isso como parte de quem ele era. (…)

E então, depois de servir, ele ficava feliz. Ele ficava assobiando pelo curto período de tempo em que conseguia recordar a experiência. Isso o acalmava, saber que tinha feito algo de bom para outra pessoa.”

Também acalmava aqueles a quem ele visitava. Ela disse que os cuidadores lhe disseram que aqueles a quem ele visitava regularmente sentiram-se melhores e ficavam bem por uma semana depois que ele os visitava. E os esforços a animavam também.

Lições Aprendidas

Perto do fim da sua vida, o Presidente Monson contou à Dibb uma história que ela não tinha ouvido. Quando era garoto e tentava arrecadar dinheiro para comprar pombos, ele trabalhou para suas tias avós e aceitou dinheiro deles.

Seu pai, G. Spencer Monson, repreendeu seu filho: “Estou decepcionado com você, Tommy”.

Da próxima vez que o Presidente Monson visitou suas tias avós, “ele devolveu o dinheiro e trabalhou ainda mais”, Dibb disse.

Ele disse à sua filha: “Às vezes as maiores lições são os erros que cometemos”.

Em um vídeo feito sobre a vida do Presidente Monson logo depois que ele se tornou o presidente da Igreja, ele está apontando o dedo na foto e explicando, “não fui o único a aprender a lição”.

Dibb disse que o episódio exemplificou a maneira como seu pai reagiu à reprovação do pai depois de aceitar dinheiro por atos que deveriam ter sido oferecidos como serviço.

O Presidente Thomas S. Monson na Celebração Cultural realizada pelos jovens do distrito do Templo de Twin Falls, em 23 de agosto de 2008.

“Ele repassou a lição”, disse Dibb. “Ele era incrível ao observar uma situação, reconhecer o que precisava ser feito ou alterado e depois fazê-lo. (…) Ele só precisava aprender uma lição uma vez.”

Mas isso não significa que o Presidente Monson não se divertia.

“Ele se divertiu muito a vida toda”, ela disse.

Ministro motivado

Apesar do pai dela poder estar rindo e contando histórias durante uma visita, se ele detectasse uma preocupação, seu foco mudaria completamente. Ele parava de falar e ouvia para descobrir “o que posso fazer para ajudar”.

O Presidente Monson tratava os outros da maneira que ele gostaria de ser tratado, Dibb disse. Ele sabia “como as pessoas funcionavam”. Ele sabia que todo mundo queria se sentir reconhecido, seguro e ajudado”.

O Presidente Monson visitou amigos que estavam no final da sua vida. Amigos que antes eram poderosos, mas que estavam enfermos. “Ele os visitava e pega a mão deles”, disse Dibb. “Ele falava com eles como se eles estivessem em sua melhor fase”.

Dibb disse que se sentia frequentemente que seu pai se importava com as pessoas simplesmente porque ele sabia que “seria algo bom de fazer”.

Ele fazia o que ele achava que Jesus Cristo faria, ela disse.

Por isso, às vezes essas pessoas viam milagres ou tinham orações respondidas como resultado de seu serviço.

“Quem era o exemplo dele? Era o Salvador”, ela disse. “O Salvador era um bom professor. Ele era compreensivo. Ele era amável. Ele percebia as necessidades. Ele abençoava, curava e ensinava”.

Dibb viu muitos desses traços no pai dela. “Eles eram dons espirituais que manifestados mais plenamente porque Tom Monson repassava as lições que aprendia”.

Frances e Ann

Uma constante na vida do Presidente Monson foi sua esposa, a irmã Frances B. Monson.

Dibb disse que sua mãe, às vezes, dava espaço a ele. Mais importante, quando necessário, ela intervia e dizia: “Agora sim, Tom”.

“Ela incentivava, ouvia e edificava”, disse Dibb. “Ela era poderosa em sua maneira tranquila de ser”.

O Presidente Thomas S. Monson cumprimenta os presentes na conferência ao sair com sua esposa, Frances, do Centro de Conferências em Salt Lake City, após a sessão da manhã de domingo da Conferência Geral Semestral número 179 de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

A filha do presidente Monson disse que a mãe dela sabia que seu pai tinha muitas responsabilidades. “Ela sempre queria providenciar um lugar em casa para que, quando ele chegasse, pudesse relaxar, fazer o que ele precisava fazer e preparar-se para o dia seguinte e deixar de lado suas preocupações para se revigorar”.

Ela não se queixava. Mas ela o incentivava. Dibb disse que a mãe dela perguntava: “Já ponderou sobre essas coisas? Você as considerou?’ Muitas vezes ele não tinha.”

Com frequência ela ficava com a tarefa mundana de realizar as tarefas de casa.

Dibb disse que tudo começava quando o pai dela entrava pela porta. “Ele sempre carregava uma pasta e ela sempre estava cheia”, ela disse observando que ele tocava a campainha várias vezes enquanto entrava em casa “quase como um anúncio de que ele estava em casa”.

Seu pai estava sempre preocupado com algo.

“Ele sempre estava refletindo. Ele foi um instrumento pelo qual as orações das pessoas pudessem ser respondidas se ele ouvisse ou percebesse alguém que precisava de um cumprimento caloroso. Ele se resumia a “um homem que funcionava a todo vapor”.

No ano 2000, Frances Monson sofreu uma queda terrível. “Ela já não conseguia fazer o que ela fazia antes”.

Depois disso, muito do apoio que o Presidente Monson recebia de sua esposa, ele recebeu de Dibb. Isso se intensificou em 17 de maio de 2013, quando o Presidente Monson perdeu sua esposa. Ele também não conseguia cumprir as tarefas administrativas diárias da igreja. Dibb e o pai dela assistiram reprises de um programa de entrevistas antigo e davam longos passeios. Eles também sempre encontraram maneiras de servir e visitar os necessitados.

Por causa de sua energia ilimitada, ajudar o pai dela era cansativo, Dibb disse. “Quando meu pai não tinha minha mãe, coloquei em prática o que aprendi com ela que era adiantar-me e fazer alguma coisa”.

Dibb comparou seu pai no fim da vida a um carro com mais de 600.000 km rodados.

“Ele funcionou a todo vapor a vida toda. Ele estava esgotado. Já não havia nenhum fabricante que fizesse peças novas para Tom Monson”.

Escrito por Tad Walch e Sarah Jane Weaver, e traduzido por Luciana Fiallo Alves

Fonte: DeseretNews

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