O Museu de História da Igreja de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias iniciou uma exibição em setembro de 2017 dedicada à Harry Anderson, um famoso pintor adventista cujas obras se tornaram muito populares entre os membros mórmons.

Mais de 25 estudos de pintura e esboços criados por Anderson estão no museu que foi reformado recentemente. Turistas e habitantes locais podem admirar os trabalhos que são bem conhecidos na Igreja.

Mas Anderson não era mórmon.

Então quem era ele? Mais do que apenas um pintor popular com admiradores mórmons, o artista nascido em Chicago, era um matemático e adventista do sétimo dia que buscou a ajuda de Deus na cura de seus problemas de saúde que afligiam sua vida e carreira. Apesar das diferenças com a doutrina mórmon, Anderson ilustrou centenas de pinturas para A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Seu trabalho é conhecido em todo o mundo.

O impacto da obra de Anderson na Igreja SUD

Como  artista independente, Anderson, que morreu em 1996, designou centenas de pinturas para a Igreja Adventista do Sétimo Dia. Em 1962, ele foi contratado pela Igreja SUD para criar ilustrações para o Pavilhão Mórmon na Feira Mundial de Nova York em 1964 e pintar cenas bíblicas. A maioria de seu trabalho pode ser visto no Centro de Visitação Norte na Praça do Templo. Suas obras foram incluídas em diversas publicações da Igreja por mais de 50 anos e  continuam a ser compartilhadas em capelas e centros de visitantes em todo o mundo.

Arte: Harry Anderson

“Eu fiquei extremamente impressionado com essas 22 pinturas preparatórias.”

Compartilhou Laura Allred Hurtado, curadora de aquisições globais para o Museu de História da Igreja. Ela falou ao canal Adventist Review, dedicado à religião Adventista e notícias religiosas:

“A exposição nos dá a oportunidade de ver imagens famosas com um novo olhar, e dá uma nova vida à Harry Anderson, seu trabalho e às histórias bíblicas que são amadas por cristãos em todo o mundo.”

Arte: Harry Anderson

Anderson disse uma vez que a beleza da arte está nos detalhes. De acordo com os Arquivos Americanos de Arte, ele disse:

“Concepção, composição, valor, técnica e destreza ao pintar deve trabalhar juntos. Eles são importantes nesta ordem, mas cada parte se torna automática ao passar do tempo.”

Alguns dos trabalhos mais famosos do artista focam na família. Ele pintou “Filha de Reis” para o Jornal de Ladies Home. Ele ilustrou uma esposa abraçando um filho em seu casamento para Good Housekeeping. Para Massachesetts Mutual, ele criou “Um dos Grandes Momentos de Sua Vida… Seu Casamento.”

A primeira paixão de Anderson foi a matemática, mas ela fez dele um artista.

Anderson, que nasceu no dia 11 de agosto de 1906, em Chicago, cresceu com um irmão e uma irmã. Todos os três eram excelentes alunos. Anderson colocou seu foco na matemática, de acordo com os Arquivos de Arte Americanos.

Quando ele frequentou a Universidade de Illinois, ele tinha planejado um futuro cheio de frações e teoremas de Pitágoras, mas seu destino mudou.

Sua universidade requeria que ele selecionasse uma aula eletiva durante o segundo anos. Seu desejo de frequentar uma aula fácil o levou para a aula de pintura.

“Essa aula eletiva mudaria sua vida para sempre.”

Anderson não era um bom pintor inicialmente. Mesmo assim, ele adorava ilustrar, então ele começou a se esforçar. Por muitas horas. No final do ano, suas habilidades tinham melhorado e seu professor perguntou: “Você já considerou alguma vez arte como  profissão?”

 Sua primeira pintura de Jesus contém uma história milagrosa.

Anderson se tornou um membro da religião  adventista em 1944 com sua esposa, Ruth.

Ruth e Harry se casaram em 1940. O casal trabalhava no mesmo edifício, de acordo com a biografia de JVJ Publishing.

Os dois estavam vivendo o “Sonho Americano” de acordo com os estudos da BYU sobre arte na Igreja SUD. As dores estomacais, entretanto, eram difíceis para Anderson, o impedindo de finalizar suas ilustrações. Mesmo assim, seu desejo de se manter ativo na área artística fez com que ele pedisse respostas ao Senhor.

Então, ele encontrou a Igreja Adventista do Sétimo Dia. De acordo com os estudos da BYU:

“Sua decisão foi difícil, principalmente porque ele tinha o hábito de fumar e beber socialmente, e os adventistas evitam vícios. Havia também suas ilustrações de bebidas que eram muito lucrativas. Para Ruth, mudar hábitos era fácil perto da ameaça em sua renda.”

Em 1945, Anderson publicou sua primeira pintura de Jesus e era chamada: “O que aconteceu à sua mão?” Ele disse que a pintura, publicada em uma revista infantil, levou sete tentativas, já que ele esperava que seu produto final representasse Jesus nos dias modernos. A pintura mostra Jesus sentado com um trio de crianças modernas. Uma estava em seu colo, enquanto outra criança estava aos seus pés e uma menina estava a seu lado.

Os pais não ficaram muito felizes com a pintura.

“Os adultos responsáveis pela publicação ficaram ainda menos entusiasmados. Alguns consideram quase uma blasfêmia mostrar Cristo nos dias de hoje.” De acordo com JVJ.

Mas Anderson e seu director de arte, T. K. Martin, venceram. O pintor ganhou liberdade para pintar Jesus como uma presença tangível nos tempos modernos.

“A paz de espírito que permitiu que Anderson fizesse sua escolha de contribuir com seu tempo e esforço vivendo de um salário mínimo é evidente em suas pinturas e ilustrações de Jesus.”

Anderson pintou para os Mórmons, apesar das diferenças.

Anderson pintou com tinta a óleo na maior parte de sua carreira apesar de ser alérgico. Mais tarde nos anos 60, com o surgimento da aquarela, ele recebeu algum alívio.

Em 1962, A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias contratou Anderson para uma feira que aconteceria em dois anos. O problema? A Igreja pediu que ele usasse tinta a óleo. As dores estomacais continuaram a atormentar Anderson, mas ele continuou em frente, às vezes acordando no meio da noite para pintar.

Arte: Harry Anderson

Os líderes da Igreja gostavam muito de seu trabalho.

“Líderes da Igreja SUD gostavam do estilo artístico, e eles gostavam do artista. Anderson via na fé mórmon as similaridades com sua religião. Por exemplo a crença na segunda vinda de Cristo, a importância das famílias e a abstinência de álcool e tabaco. Assim sendo, ele não rejeitava os pedidos adicionais feitas pelos santos dos últimos dias”, de acordo com os estudos da BYU.

Assim começou sua carreira, pintando dezenas de quadros para a Igreja SUD.

No total, Anderson pintou 14 quadros sobre a vida de Jesus e 6 sobre o Velho Testamento. A Igreja SUD também comprou os direitos de 19 outras pinturas que Anderson tinha criado para a Igreja Adventista do Sétimo Dia, de acordo com os estudos da BYU.

Mas Anderson conversava frequentemente com líderes, como o futuro profeta Presidente Gordon B. Hinckley, sobre como Jesus deveria ser ilustrado. O Artista Bill Whittaker disse à BYU que Anderson discordava frequentemente com a Igreja na questão da doutrina.

“Por exemplo, quando foi pedido que ele pintasse anjos sem asas, ele o fez, mas nunca perdeu uma oportunidade de tentar convencer os líderes a sua interpretação bíblica.”

artista adventista

Arte: Harry Anderson

Algumas vezes Anderson escolheu não pintar para a Igreja. Nessas ocasiões, ele indicava Tom Lovell para fazer o trabalho.

“Ele era muito comprometido, de verdade, e um adventista honrável.” Disse Jay Todd, antigo editor da revista Ensign. “Ele tinha seu próprio sentido de comprometimento e não aceitava pintar quadros sobre a Restauração ou o Livro de Mórmon. Quando a Igreja solicitava quadros da bíblia, na qual ele acreditava profundamente, ele aceitava os pedidos e fazia o que os líderes da Igreja solicitavam de acordo com a interpretação deles.”

Demorou até 1975 para Anderson visitar Salt Lak City e ver suas pinturas. O Presidente Spencer W. Kimball o recebeu com palavras amáveis, mas Anderson não gostou muito de Salt Lake.

Ele ficou sabendo que suas pinturas estavam sendo usadas em igrejas e templos. Ele se sentiu muito grato por isso. Mesmo assim, o artista não parecia muito impressionado. tudo isso de acordo com os estudos da BYU.

Para Anderson, suas pinturas eram mais do que um pagamento.

Elas eram tudo.

“Anderson não estava apenas fazendo um trabalho,” disse Walter Rane, de acordo com os estudos da BYU. “Ele tinha que acreditar nelas.”

Fonte: DeseretNews

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