Nunca pensei que meu marido e eu teríamos religiões diferentes e eu imaginaria que deveria escolher entre ele e Deus. Não tínhamos nem comemorado nosso primeiro aniversário de casamento e meu marido disse que não se identificava com a maioria dos ensinamentos da Igreja. Fiquei arrasada e confusa. Nós dois ficamos. Eu tinha imaginado algo diferente para essa fase da vida de recém-casados. Ao invés de focar nessa coisa nova e animadora chamada casamento, tentávamos conversar sobre teologia, estilo de vida e o que sentíamos sobre nosso futuro.

Para onde vamos? Como enfrentaremos essa jornada? A quem devo escolher?

Isso não é justo!

As crenças do meu marido mudaram, e como resultado eu quem sofreu as consequências. Ou pelo menos foi o que senti. Até perceber que não era a única a sofrer com as mudanças nas crenças ao conversar de modo mais aberto com outras pessoas próximas. Meu marido teve dificuldade com essa época de transição também. As pessoas ao nosso redor tinham boas intenções, mas ele sentiu que estavam mais interessadas em “consertá-lo” ao invés de compreendê-lo. Às vezes, há momentos de conversar sobre como desenvolver a fé, mas também há momentos que é melhor apenas ouvir e tentar entender.

Compreensão

primeiro encontro inesquecível

Como me concentrei mais em entender como estava a fé dele naquele momento, — não como era ou como eu gostaria que fosse — ele também começou a me entender e reconhecer os impactos que a sua mudança teve em mim. Por meio desse processo, começamos a ver que temos muito em comum. Ele ainda é o mesmo homem por quem me apaixonei há seis anos. Embora nossas ideias sobre Deus e espiritualidade sejam diferentes, concordamos sobre outros valores fundamentais e ainda temos no coração desejos bons.

Espero que, pela nossa comunicação aberta e vontade de respeitar as crenças um do outro, ambos sejamos capazes de compartilhar nossas perspectivas e fazer o que sentimos ser o melhor.

O exemplo perfeito

Para mim, o Salvador personifica o que é o amor perfeito em ação. Ele amava mesmo quando não O amavam, quando não O reconheciam e até mesmo quando foi ridicularizado. Um mandamento simples, mas poderoso que deu a Seus discípulos, e que repetiu três vezes: “Amai-vos uns aos outros; como eu vos amei a vós”(João 13:34-35).

Seguir em frente

Nos últimos anos, foi me dada a oportunidade de ver da primeira fila a vida de muitos que, como nós, lutam para permanecer na Igreja. Se você ainda não consegue ver, convido a prestar mais atenção. Preste atenção no jovem que não quer servir missão, mas tem muito medo de contar aos seus líderes e colegas. Preste atenção na mãe que sofre, porque seus filhos são hostilizados e rejeitados na Primária. Preste atenção na juventude LGBT que tenta conciliar os sentimentos pessoais ao contexto do evangelho de Jesus Cristo. Preste atenção no homem incrível que meu marido é, independente do que ele acredita.

Há muitas pessoas que precisam de amor. Se apenas observarmos quanta coragem alguns precisam juntar para simplesmente aparecer na Igreja, tenho certeza que conseguiremos abraçar todo mundo que entra pelas portas da capela. Sem nenhum tipo de julgamento e suposições.

Eu poderia escolher um dos lados e escolher a quem amar, mas é um alívio saber que não tenho que fazer isso. Amo a Deus. Amo meu marido. Amo meu próximo, independentemente de como está a jornada mortal deles.

Fonte: LDSLiving

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