A sintaxe do arrependimento

O Jardim do Éden ficava em uma montanha. Sabemos disso porque é dito que os rios desciam pelo jardim, e isso significa que era um lugar alto. O profeta Ezequiel disse que o lugar era a “montanha sagrada de Deus”. O Jardim foi chamado de “o primeiro templo.” Quando Adão e Eva deixaram a árvore da vida para comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal eles estavam simbolicamente se distanciando da presença de Deus (a árvore da vida). Então, depois de um sermão misericordioso de preparação, eles foram expulsos do jardim, tendo se tornado incapazes de permanecer na presença de Deus.

“Assim expulsei o homem e coloquei, ao oriente do Jardim do Éden, querubins e uma espada flamejante, que virava para todos os lados a fim de guardar o caminho da árvore da vida.” – Moisés 4:31

A necessidade de arrependimento

Depois de Caim ter matado Abel ele foi para a cidade de Node. Em qual direção ele estava indo? Para o leste. A metáfora de ir para o leste significa ser expulso da presença de Deus. Para voltar em direção a Deus, o que eles teriam que fazer? Eles teriam que dar meia volta. Deus então lhes dá uma maneira pela qual eles podem inverter a direção em que estão indo.

Em Hebraico, a palavra para voltar atrás é shuwb (shoob) traduzido para “arrepender-se.” A tradução literal é “voltar” ou “retornar.” Isso significa que quando nos arrependemos literalmente damos a meia volta e começamos a andar em uma direção diferente.

Cada pecado nos leva a uma direção contrária a divindade. Arrependimento não é apenas uma questão de seguir alguns passos, embora eles sejam muito úteis. Arrependimento é uma questão de “retornar” e desenvolver atributos divinos ao nos achegar a Ele.

“A doutrina do arrependimento é muito mais ampla do que a definição do dicionário. Quando Jesus usava o termo “arrepender-se”, Seus discípulos registravam essa ordem na língua grega com o verbo metanoeo. Essa palavra forte tem grande significado. No termo, o prefixo meta significa “mudar”. O sufixo está relacionado a quatro termos gregos importantes: nous, que significa “mente”; gnosis, que significa “conhecimento”; pneuma, que significa “espírito”; e pnoe, que significa “sopro”, “fôlego”.” (Russell M. Nelson, Abril de 2007)

Quando estamos nos arrependendo, o que está mudando dentro de nós? A explicação do Presidente Nelson mostra que nossa mente, conhecimento, espírito, fala, e nossa pessoa como um todo deve mudar. Temos que nos banquetear em novo conhecimento, ver e expressar as coisas de forma diferente.

No processo de inverter a direção que estamos indo, devemos nos tornar uma nova pessoa. Quando pensamos sobre o pecado e as coisas que precisam ser mudadas ou invertidas, paramos de ir ladeira abaixo.

O processo de Shuwb

Qual será o maior desafio para as pessoas se arrependerem? Por que as pessoas “dão a meia volta” e se perdem? Hábitos não são quebrados apenas por pensar neles. Hábitos são quebrados por meio de ação contínua.

Podemos mudar a nossa forma de pensar, mas mudar a forma que nosso corpo age leva tempo. Os milagres acontecem de acordo com o tempo e a vontade do Pai Celestial. Em diversas vezes, Ele escolhe não fazer um milagre e permitir que possamos lidar com isso e crescer no processo. Ele quer que paguemos um preço para que o arrependimento possa ir a fundo em nosso coração e elimine o desejo de pecar.

Quando somos bebês, nosso cérebro funciona em um ritmo mais lento. Como resultado, eles estão mais abertos para a programação de um subconsciente. As tradições dos pais são transferidas para a realidade da criança. Diferentemente da informação que é absorvida por nosso cérebro, esses primeiros dados se tornam parte de nossa programação interna, definindo nossa identidade.

Nosso Pai celestial quer mudar esta “programação de tradições.” Ele quer que cheguemos ao ponto onde nossa disposição ou a forma que nos sentimos sobre certas coisas mude. Isso leva tempo e esforço. Ação contínua não é o suficiente. A Expiação de Jesus Cristo é necessária. Sem Jesus Cristo, nossa natureza não pode mudar. Considere o caminho que requer ação, hábitos diários, pensamentos e sentimentos.

“Jesus considerava o pecado um erro, mas ao mesmo tempo, era capaz de compreender que o pecado se originava nas profundas necessidades insatisfeitas do pecador, (…) o que Lhe permitia condenar o pecado sem condenar o indivíduo.” – Spencer W. Kimball

Em Moisés, capítulo 6, Enoque relata que Deus instruiu Adão que o batismo era um requisito para a sua recuperação da queda. Adão perguntou: “Por que é que os homens devem arrepender-se e ser batizados na água?” Adão tinha pecado no jardim e se perguntava como ser imerso na água ajudaria em seu caso. Embora o Senhor ensine usando simbolismos como o batismo, Ele também nos permite ver que Ele compreende totalmente nossos dilemas mortais e as possíveis soluções.

“Visto que teus filhos são concebidos em pecado, quando eles começam a crescer, concebe-se o pecado em seu coração e eles provam o amargo para saber apreciar o bom.” Moisés 6:55

A escolha de Adão e Eva fez com que a humanidade caísse na mortalidade, portanto, seus filhos teriam apetites mortais. Esses apetites os levariam a pecar. Mas qual o propósito disso? Ao pecar eles experimentam as consequências amargas do pecado. Com o devido conhecimento, a experiência pode se tornar a fonte mais profunda de aprendizado.

Uma das estratégias mais usadas por Satanás é obscurecer a conexão entre escolhas pecaminosas e as consequências amargas que elas resultam. Muitos não entendem a sintaxe do pecado ou do arrependimento. Mas Deus quer muito mais do que controlar Seus filhos. Ele quer que controlemos a nós mesmos.

Todos nascemos com a Luz de Cristo. Escrito em nossa criação física está o código para a divindade: diferenciar o certo do errado. Nosso arbítrio nos permite ignorar nossa natureza divina, mas quando nós escolhemos de acordo com nossa verdadeira identidade, o resultado é a felicidade. Muitas pessoas não sabem porque são infelizes e sentem uma inconsistência dentro de si. Cada pessoa nesta terra tem a Luz de Cristo. O pecado sempre tem consequências amargas a longo prazo que podem ser usadas como uma experiência de aprendizado. O que o Pai Celestial deseja que seus filhos aprendam?

Vamos ler a escritura em Moisés novamente:

“Visto que teus filhos são concebidos em pecado, quando eles começam a crescer, concebe-se o pecado em seu coração e eles provam o amargo para…” Moisés 6:55

A palavra para frequentemente sinaliza uma ligação de efeito e causa. “para saber apreciar o bom.”

Poderia estar escrito, “para escolher o certo, ou fazer o bem.” Mas, “apreciar” significa valorizar ao extremo. Thomas Paine uma vez escreveu:

“Aquilo que obtemos facilmente, estimamos pouco. Deus sabe como extrair um preço de todas as Suas dádivas.”

Quando experimentamos o ruim e então experimentamos o bom, o desejo para o bem se torna intrínseco. Quando nossa natureza muda nosso apetite segue. Começamos a pensar em resultados futuros a longo prazo, ao invés de saciar de desejos a curto prazo.

Dessa forma, atingimos o nível onde nós governamos a nós mesmos e escolhemos o bem porque somos bons. Quando usamos o aprendizado que adquirimos em nossas experiências para fazer boas escolhas repetidamente, elas se toram hábitos e o Espírito pode transformar nossa natureza até o dia em que nasceremos de novo. Nos tornamos pessoas boas que não tem mais a disposição de pecar.

Alguns passos para o arrependimento

Élder Maxwell disse:

“Portanto, ao deixar o mundo para trás e passar pelos portões do arrependimento e do batismo, nem tudo está feito.”

O que mais é requerido? Arrependimento é um processo que leva tempo. Arrependimento não é uma receita. Entretanto, ambas testemunhas do Senhor Jesus Cristo, em duas conferências com 7 anos entre elas, listaram esse processo. Não é como uma receita. Este processo inclui o tipo de mudanças que precisam ser feitas. Fazemos tudo que pudermos e então experimentamos os efeitos de tudo o que Ele pode.

“O arrependimento precisa acontecer passo a passo.” – Presidente Russel M. Nelson

“É preciso cumprir-se cada passo do arrependimento.” – Élder Richard G. Scott

Começamos ao RECONHECER. Precisamos reconhecer que o que estamos fazendo é errado e ofende ao Pai.

LAMENTAR é sentir-se triste. Nós desejamos que não tivéssemos feito isso. (e não lamentar por termos sido descobertos)

REMORSO é listado em um passo separado. Qual a diferença? Remorso é uma tristeza profunda e divina. É um dom do Espírito. Remorso é mais genuíno.

“Agora, alegro-me, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para o arrependimento; porque fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma. Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.” 2 Coríntios 7:9-10

Muitas pessoas já lamentaram muito o seu pecado. Porém, eles ainda não alcançaram o remorso. Quando elas falam sobre as coisas que elas lamentam, expressando a ansiedade de seguir em frente, talvez elas só não gostaram das consequências. Elas ainda não sentiram uma tristeza divina pelo que fizeram. Elas ainda são incapazes de ver o pecado como Deus vê o pecado. O dom de ver o pecado de forma repulsiva como Deus vê, traz uma mudança que apenas o remorso pode prover. Seria importante orar pelo dom do remorso ao ler, escutar e estudar o que os profetas ensinaram sobre pecados específicos.

O dom do remorso se torna um passo vital no arrependimento que muda vidas. Nos tempos antigos, a lei de sacrifício servia para criar esse impacto profundo no coração. Com o passar do tempo e a apostasia, sacrifícios se tornaram rituais sangrentos feitos com cordeiros baratos.

O que podemos aprender sobre o verdadeiro remorso ao dar uma olhada mais atenta nos sacrifícios feitos antigamente? A Lei de Moisés, embora tenha sido cumprida e não seja mais praticada nos dias de hoje, simbolizava o poder redentor de Jesus Cristo, vital para cada pessoa neste planeta. É o poder pelo qual todas as pessoas podem ser limpas do pecado e santificadas.

Como os filhos de Israel abordavam a expiação e a redenção? Depois de pecar ou durante as celebrações eles sempre eram requeridos a ir ao altar do sacrifício. O procedimento, dado a Adão, era trazer um cordeiro imaculado para o altar. Essas qualificações asseguravam que o sacrifício simbolizasse apropriadamente a Expiação de Jesus Cristo.

O que o cordeiro representava?

O cordeiro representava Jesus Cristo. O procedimento requeria que o cordeiro fosse comprado ou criado por aquele que o ofereceria. Não poderia ter sido encontrado. Quando os israelitas criavam os cordeiros, eles frequentemente deixavam que os cordeiros jovens ficassem dentro de seus lares.

Nós fomos para o Egito e encontramos alguns desses lares. Eles conheciam e amavam cada um de seus cordeiros. Cada um tem seu próprio nome. Um de meus colegas perguntou ao pastor: “Você realmente sabe o nome de cada um?” e o pastor respondeu: “Claro! Coloque uma venda em meus olhos. Traga-os um por vez. Eu direi o nome de cada um.”

Como seria levar um desses cordeiros para o altar de sacrifício? Imagine levar um cordeiro que você amasse e conhecesse pelo nome. Seria muito difícil. Hoje não fazemos isso, mas imagine ter que sacrificar um bicho de estimação querido, cada vez que você precisasse se arrepender.

Agora vamos supor que você esteja carregando o cordeiro escolhido em seus braços e você se aproxima do altar. Qual é o seu propósito? A principal razão que você está lá é para se arrepender. Com peso no coração você coloca seu precioso cordeiro nos braços do sacerdote que agora espera que você coloque suas mãos na cabeça do cordeiro. Você quer vencer seus pecados, então agora você dedica o cordeiro a Deus e transfere os seus pecados para o cordeiro. Agora o cordeiro representa você.

Ele se torna um substituto. A consequência de todos os pecados é a morte espiritual. Em outras palavras, quando você traz um cordeiro para o altar, ele representa você e quando ele morre, ele representa a substituição que Cristo fez por amor a você, tendo seu arrependimento como condição.

Agora lhe é dado uma faca grande e afiada que você precisa usar para cortar o pescoço do pequeno cordeiro de forma rápida e profunda para que o sangue seja derramado em um recipiente. Por que é necessário que você o mate? Você conferiu seus pecados no cordeiro e o preço do pecado é a morte. Você precisa segurar a faca para que sinta as consequências de seus pecados. São seus pecados que matam o cordeiro. Você foi a pessoa que pecou, então você precisa segurar a faca.

Como isso afetaria o seu arrependimento nos dias de hoje, se ainda fosse assim? Você pensaria mais de duas vezes antes de pecar? Na hora da tentação devemos ter sempre algo em nossa mente que seja emocionalmente mais poderoso do que o desejo de pecar. O povo de Israel tinha essa imagem gravada em sua mente, uma incrível consequência simbólica. Eles podiam ver fisicamente o que estava acontecendo espiritualmente. (Isso mudaria sua adoração durante o sacramento?).

Já que o cordeiro representa você e sua morte espiritual, o pensamento de que o arrependimento transfere seus pecados e sua morte para o Cordeiro de Deus, vincula seu coração a Ele por meio de grata obediência aos Seus convênios.

Isso nos dá uma ideia melhor do que significa um “coração quebrantado.” Sentir essas emoções é doloroso. O pecado, em sua memória, encontra a dor da morte, perda, e consequência do que você tinha pensado inicialmente que era algo tão atraente. É bom lembrar que essa conexão entre o pecado e sua consequência é algo que satanás tenta obscurecer. Ele sussurra em sua alma para que você pense sobre as sensações imediatas para distrair-nos das consequências a longo prazo e eventual sofrimento.

Somente depois de muito tempo você percebe a diferença que o pecado causa. A recompensa a curto prazo nunca compensa a angústia e sofrimento que o pecado produz. Mas, o momento que precisamos focar é o momento da escolha. Se realmente queremos usar o arbítrio apropriadamente, devemos ter as consequências sempre em mente. Satanás rouba o nosso arbítrio ao separar as consequências das escolhas.

A oferta de sacrifício conecta a dor da escolha a nossa mente espiritual que talvez tenha estado dormente por causa dos pecados repetidamente cometidos. Depois da oferta de sacrifício, as cinzas da oferta se tornavam o requisito básico para todas as outras ofertas. Isso significa que se você quisesse agradecer ao Pai Celestial por meio de uma oferta de gratidão no Dia do Senhor, a oferta pelo pecado tinha que ser feita antes. As cinzas da oferta pelo pecado tinham que estar no altar para que todas as outras ofertas tivessem validade.

Essas metáforas antigas, mas poderosas, ainda podem prover significado e poder em nossos esforços diários de nos arrependermos e obedecermos.

No processo de arrependimento, estamos tentando alcançar a RECONCILIAÇÃO e reparar nosso relacionamento com nosso Pai Celestial e aqueles que foram afetados por nossos pecados. Devemos tentar ver as coisas como Deus as vê.

Uma vez que a faca passa pelo pescoço do cordeiro, o sangue que escorre para o recipiente é usado pelo sacerdote para representar o sangue de Cristo em lugar de seu sangue. O sacerdote toca os chifres no altar com o sangue e derrama o restante na base do altar. O sangue representa vida, a vida do Unigênito, dada livremente para que você não precisasse nem pudesse pagar a consequência final de seu pecado e ainda ser capaz de vencer o homem natural. Aceitar Seu sacrifício por meio do arrependimento e obediência a Ele, é humildemente aceitar o seu amor infinito, e por meio dessa mudança de vida, retornar esse amor.

Durante nosso processo de arrependimento podemos pedir:

“Pai, tu poderias me ajudar a ver o meu pecado como o Senhor o vê? Não apenas como algo a ser punido, mas algo que me distancia de Ti. O Senhor me ajudará a mudar para que eu possa retornar à Sua presença? Ajude-me a entender a angústia que Tu sentiste por causa da separação que eu causei por causa de meus pecados. Ajude-me a entender, para que eu veja meus pecados através de uma nova perspectiva e que eu nunca ceda a essa tentação novamente.”

Nós precisamos CONFESSAR para aqueles a quem nós ofendemos e isso inclui Deus. Quando comentemos pecados graves, precisamos confessar ao bispo que é um juiz em Israel. Em confidência, ele nos instruirá sobre passos adicionais que precisamos seguir para sermos santificados e qualificados para servir no reino do Senhor. Élder Richard G. Scott adicionou mais uma dimensão. Ele comparou paz de consciência com paz de mente que uma irmã estava tendo dificuldades para obter. Qual é a diferença? Ambos são muito importantes.

Embora o arrependimento sempre nos traz paz de consciência, ele disse, “confissão sempre nos permite ter paz de mente.” Todos já nos perguntamos se realmente já fomos perdoados. Isso pode se tornar uma luta. O presente que a confissão traz é a certeza mental que fizemos tudo o possível para sermos perdoados. O preço foi pago. Mas o inimigo sussurra: “Você nunca será perdoado(a). A única coisa que você fez foi dizer que você sentia muito. Sim, você acha que já pagou o preço. Lembre-se como foi horrível aquilo que você fez! Você ainda carrega a vergonha.” Satanás fala sobre a vergonha em uma tentativa de imitar a culpa e remorsos que vem do Espírito Santo. A culpa motiva a mudança, a vergonha desencoraja a mudança e nos deixa miseráveis como ele o é.

O seu pecado existe porque você seguiu o maligno. Agora, ele quer que você sofra em vergonha. Isso é muito inteligente. Ele continua a sussurrar dúvidas. Você quer paz de consciência (livre da culta; perdão) e paz de mente (livre da vergonha; saber que foi perdoado). Você não quer reciclar o pecado por causa da paralisia da análise. Você quer ser capaz de dizer: “Satanás, se retire. Eu fiz tudo que precisava. Com a confissão, nada mais resta.” Você já teve o sentimento do Espírito dizendo que você está perdoado, mesmo que você não sinta isso o tempo todo.

A confissão permite que tenhamos a paz de mente que só pode vir por meio de uma confissão a um líder do sacerdócio.

Se o seu pecado não requer confissão, o Espírito Santo trará paz de consciência e paz de mente como resultado de seu arrependimento. Paz de consciência é ser livre de culpa. Paz de mente é ser livre da vergonha. Compare isso à descrição feita pelo Élder Packer:

“Quando a ofen­sa é peque­na, uma sim­ples des­cul­pa satis­faz a lei. A maio­ria dos erros pode ser resol­vi­da entre nós e o Senhor, e isso deve ser feito logo. É neces­sá­rio con­fes­sar­mos a Ele e fazer­mos as repa­ra­ções neces­sá­rias. O evan­ge­lho ensi­na que se obtém o alí­vio do tor­men­to e da culpa por meio do arre­pen­di­men­to. Exceto para pou­cos que deci­dem seguir o cami­nho da per­di­ção depois de conhe­ce­rem a ple­ni­tu­de, não há hábi­to, vício, rebe­lião, trans­gres­são nem ofen­sa que não se inclua na pro­mes­sa de total per­dão.

Existem algu­mas trans­gres­sões que exi­gem um cas­ti­go que pro­por­cio­na­rá o alí­vio que chega com a manhã do per­dão. Se seus erros foram sérios, pro­cu­re o bispo. … Os bis­pos podem guiá-los nos pas­sos neces­sá­rios para que obte­nham o per­dão, no que con­cer­ne à Igreja. Cada um de nós deve esfor­çar-se sozi­nho para obter o per­dão do Senhor.

Se o seu pecado requer confissão, a paz de consciência virá tão logo quanto você terminar seu processo de arrependimento, que inclui a confissão a um líder do sacerdócio. Você receberá a paz de consciência do Espírito Santo. Sua culpa foi apagada. Às vezes, isso é seguido por aqueles momentos onde memórias, novo repúdio ao pecado, ou sussurros degradantes do maligno podem atormentá-lo com perguntas e dúvidas.

Mesmo essa graça de Deus pro­me­ti­da nas escri­tu­ras só pode ser rece­bi­da “depois de tudo o que puder­mos fazer.” – Boyd K. Packer (A Radiante Manhã do Perdão)

Se o seu pecado é de uma natureza na qual a necessidade de uma confissão não é bem definida, então no fim do seu processo de arrependimento, mesmo com os sussurros do Espírito Santo, sua mente pode continuar a atormentá-lo. Se a paz de mente não vier, converse com o bispo por garantia.

Também queremos chegar no ponto no qual perdoamos a nós mesmos. O Pai Celestial é rápido em perdoar e quer nos ajudar a nos arrependermos e nos sentirmos limpos novamente. Devemos entender duas doutrinas importantes que quando vistas separadamente nos deixar espiritualmente deficientes, mas vistas juntas nos ajudam a desenvolver esperança.

A primeira é D&C 1:31:

“Pois eu, o Senhor, não posso encarar o pecado com o mínimo grau de tolerância;”

Não é Sua tolerância que está faltando. É a glória de Sua natureza que nos consumiria em nosso estado carnal. Essa é a questão. Devemos ser santificados e aperfeiçoados (justificados) antes de morar com Ele eternamente. Então, não há nenhuma concessão para o pecado.

A segunda doutrina vem por meio de Isaías e precisa ser contextualizada:

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos, os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos, mais altos do que os vossos pensamentos.” – Isaías 55:8-9

Você já se perguntou o quão alto está o céu? Para uma criança de quatro anos de idade, o céu está logo depois do teto da casa. A estrela mais próxima está a 4,5 anos-luz de distância. Não podemos nem imaginar o número. Isso seria por volta de 300 mil quilômetros por segundo durante 4 anos e meio. Essa é a distância da estrela mais próxima fora de nosso sistema solar. O quão alto são os caminhos de Deus? Quais caminhos e pensamentos Ele está se referindo? Vejamos o verso anterior para termos contexto:

“Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto. O ímpio deixe o seu caminho, e o homem maligno, os seus pensamentos, e se converta ao Senhor, que se compadecerá dele; como também ao nosso Deus, porque grandioso é em perdoar.” Isaías 55:6-7

Os pensamentos e caminhos do Senhor no que se relacionam à misericórdia estão muito acima de nós. Sua disposição e desejo de perdoar estão além de nossa imaginação. Ele é rápido em perdoar. Uma confissão permite a possibilidade um perdão e paz de mente real. Ele quer nos exaltar e não nos condenar.

O próximo passo é o que as pessoas mais pensam quando pensam sobre arrependimento, é PARAR. Ao tentar ver as coisas como Deus vê, é natural parar o que estamos fazendo de errado. Mas também há o pecado de não fazer algo que devíamos estar fazendo. Precisamos estar conscientes de quais pensamentos levam-nos a cometer o pecado e prestar atenção em nossos pecados de omissão. Devemos tomar “cuidado com [nós] mesmos e [nossos] pensamentos e [nossas] palavras e [nossas] obras. Mosias 4:30

O próximo passo geralmente é o mais difícil que é RESTITUIR. Restituir é fazer algo novo novamente ou restituir a ofensa ou o que foi tomado. Na Lei de Moisés, por exemplo, se você roubasse uma vaca, você tinha que restituir cinco vacas. Isso motivava as pessoas a não roubarem, porque no final você perderia muito mais. Mas como fazemos isso em relação ao pecado?

Uma de minhas histórias favoritas é de um Setenta, Élder Robert L. Backman. Um dia, ele estava sentando em seu escritório e um carteiro chegou com uma caixa bem bonita. Quando ele abriu a caixa, havia um novo conjunto de escrituras. E junto, havia um bilhete:

“Querido irmão, eu gostava muito de suas aulas no seminário, muitos anos atrás. Um dia, na escola, eu percebi que eu estava com um conjunto de escrituras de nossa classe e por anos eu estava tentando devolver. Eu percebi que eu nunca tinha conseguido devolvê-las e eu nem sei onde elas estão. Eu me senti mal por ter roubado um conjunto de escrituras de um edifício de seminário. Eu sei que você não precisa delas, mas alguém precisa. Você poderia dar essas escrituras a alguém que realmente precise?”

Isso foi feito para restaurar o que ele tinha feito anos atrás. Ele estava limpando cada pequena área de sua vida. Isso tinha incomodado sua mente por anos.

Presidente Spencer W. Kimball serviu na igreja por toda a sua vida. Quando ele foi chamado como apóstolo, era importante que ele conversasse com qualquer pessoa que ele tivesse ofendido e pedir perdão. Ele queria ser o vaso mais limpo possível para servir com o poder do Senhor. Ele até mesmo escreveu cartas para homens de negócios e pessoas que talvez tivessem sentimentos que eram desconhecidos para ele. Um deles escreveu de volta e disse ao Presidente Kimball que ele achava que o Presidente tinha ficado com algum dinheiro anos atrás. Presidente Kimball nem questionou ou analisou a situação. Ele simplesmente enviou o dinheiro para ele. Ele queria ter certeza que não havia nenhuma dúvida sobre sua integridade.

Podemos servir com muito mais poder quando nós varremos os cantos de nossa vida e nos tornamos cada vez mais puros, buscando ser como o Salvador. Ao envelhecer, algumas coisas virão a sua mente. O senhor nos ajuda dessa maneira. Quando elas vêm a sua mente, você pode concerta-las.

Há alguns pecados que são quase impossíveis de serem reparados ou restituídos. O que fazer?

“Para ganhar per­dão, deve-se fazer res­ti­tui­ção. Isso sig­ni­fi­ca devol­ver o que se pegou ou ali­viar a dor daque­les que feri­mos.

Algumas vezes, porém, não se pode devol­ver o que se pegou, por­que não o temos para dar de volta. Se você fez com que outros sofres­sem insu­por­ta­vel­men­te—macu­lan­do a vir­tu­de de alguém, por exem­plo—não está em seu poder fazer res­ti­tui­ção.

Há situa­ções em que não se pode con­ser­tar o que se estra­gou. Talvez a ofen­sa tenha acon­te­ci­do há muito tempo, ou a pes­soa feri­da recu­se sua peni­tên­cia. Talvez o dano tenha sido de tama­nha exten­são que não seja pos­sí­vel repa­rá-lo, a des­pei­to de quan­to se dese­je fazê-lo.

Seu arre­pen­di­men­to não pode ser acei­to a menos que haja res­ti­tui­ção. Se você não con­se­guir des­fa­zer o que fez, esta­rá preso numa arma­di­lha. É fácil com­preen­der o quão impo­ten­te e deses­pe­ran­ça­do você venha a sen­tir-se e por que tal­vez quei­ra, como Alma, desis­tir.

O pen­sa­men­to que res­ga­tou Alma, quan­do ele agiu de acor­do, foi o seguin­te: Restaurar o que não se pode res­tau­rar, curar a feri­da que não se pode curar, con­ser­tar o que se estra­gou e não pode ser con­ser­ta­do é o pro­pó­si­to do sacri­fí­cio expia­tó­rio de Cristo.

Quando o dese­jo é forte e se está dis­pos­to a pagar “o últi­mo cei­til”, a lei da res­ti­tui­ção é sus­pen­sa. Sua obri­ga­ção trans­fe­re-se para o Senhor. Ele sal­da­rá suas dívi­das.”

A fase da restituição é essencial para um arrependimento completo e parece o fim. Mas há ainda o passo da REFORMAR.

“Porque vos perdoarei vossos pecados com este mandamento: Que permaneçais firmes em vossa mente, com solenidade e espírito de oração, prestando ao mundo todo testemunho das coisas que vos são comunicadas.” Doutrina e Convênios 84:61

O perdão vem como? Vem com a dedicação em prestar nosso testemunho ao mundo.

Todos os pecados são egoístas. Portanto, o último passo do arrependimento é parar de pensar em si mesmo e pensar nos outros. Ao invés de tentar destruir o Reino de Deus, agora estamos construindo-o. Nos tornamos uma nova pessoa. Por não conseguirmos restituir tudo, nós fazemos o contrário de nosso pecado, para reverter os efeitos do que tínhamos feito.

Eu observei um homem que tinha feito coisas terríveis em sua vida. Eu o observei passar pelo processo de excomunhão e arrependimento. Então, eu o observei voltar para o mesmo conselho depois de ter cumprido cada condição para o arrependimento. Ele estava realmente arrependido. Por muitos anos, ele tentou reverter as coisas que tinha feito em privado. Durante um conselho, eu compartilhei D&C 84:61 com ele. Quando ele leu ele disse: “Minha nossa! Eu pensei muito em como reverter meus pecados passados. Obrigado. Agora eu entendo.” Eu observei-o nos anos seguintes. Ele pegou suas fortunas e concentrou-se em ajudar o Reino de Deus a crescer. Não apenas prestando seu testemunho, mas também abençoando a vida de muitos e contribuindo de diversas maneiras para o Reino de Deus. Ele tinha se tornado uma nova pessoa. Reformar é um passo poderoso para o arrependimento.

Já que o pecado é egoísta e se opõe a Deus, para darmos a meia-volta devemos juntar-se a Ele em Seu trabalho de salvação. Conforme mudamos, é natural nos tornarmos missionários prestando testemunho de tudo o que recebemos. Depois de completar os outros passos para o arrependimento, servir Deus, e sentir Seu Espírito trabalhando em nossa vida, podemos ter certeza que fomos perdoados.

“Cada vez que o Espírito Santo estiver presente podemos sentir-nos confiantes de que a Expiação está tendo efeito em nossas vidas.” Élder Henry B. Eyring.

Voltando para as práticas antigas e o simbolismo dos sacrifícios é importante considerar o contraste espiritual do símbolo usando em Apocalipse 6:9-11 com D&C 138:12-13:

“E havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que deram… E deram-se-lhes a cada um vestes brancas compridas, e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles.”

“E achava-se reunido em um só lugar um grupo incontável dos espíritos dos justos, que foram fiéis no testemunho de Jesus enquanto viveram na mortalidade; E que ofereceram sacrifício à semelhança do grande sacrifício do Filho de Deus e sofreram tribulações em nome de seu Redentor.”

Foi revelado à Joseph Smith que o quinto selo representa o quinto milênio da história da terra. Este seria o período que começou com o nascimento de Cristo até o fim daquele século. Era um período que as vezes era chamado da “era dos mártires,” quando muitos foram martirizados por causa de seu testemunho de Cristo.

Mas o que frequentemente é deixado despercebido é que Cristo foi um desses mártires. Surpreendentemente ele não eleva o valor de Sua oferta acima da oferta de outros mártires. Em Doutrina e Convênios Ele diz que os sacrifícios de todos os fiéis são a sua semelhança. Ninguém poderia sofrer como Ele sofreu ou ser tão inocente quando Ele foi, mas isso não diminui nossas ofertas feitas de toda nossa capacidade a Seus olhos, embora nossa capacidade seja incrivelmente menor. Esse passo de reforma manifesta uma vida verdadeiramente renascida conforme o arrependido se torna um salvador no monte Sião de acordo com sua própria capacidade, aumentada por meio de Cristo.

“Portanto, ao deixar o mundo para trás e passar pelos portões do arrependimento e do batismo, nem tudo está feito. Há sempre tempo para ser administrado para obtermos de nossas horas o melhor uso. Há ainda hábitos antigos para serem controlados, pensamentos familiares que devem ser evitados, e sentimentos para serem domados. Nossa personalidade deve ser gentil e encorajante. Há ‘desafios de lagartas’ prontos para serem transformados em ‘bênçãos de borboletas.’”

Esse artigo foi escrito por Craig R. Frogley e publicado em inglês no site LDS Magazine com o título “Understanding How to Repent.” Traduzido para o português pela equipe do mormonsud.net.