Estamos estudando o Livro de Mórmon todo, conforme o pedido o Presidente Russell M. Nelson e da Presidência de Área do Brasil, que lançou um desafio a todos os membros da Igreja do país para terminarem a leitura do Livro de Mórmon até dezembro.

O Senhor tem poder

Os filhos de Leí tinham boas razões – ou melhor, razões compreensíveis – para deixar aquela história de obter as placas de lado – e voltar para seu pai, no deserto. Eles haviam feito várias tentativas e falhado. Haviam perdido sua fortuna – e corriam um real risco de vida.

Mas Néfi não via as coisas assim. Ele havia estudado as escrituras – e mais: conhecia Deus. Sabia que Deus era “mais poderoso que Labão e seus cinquenta, sim, ou mesmo suas dezenas de milhares”. Sabia que o mesmo Deus que realizou milagres através de Moisés – o qual “falou às águas do Mar Vermelho e elas dividiram-se para um e outro lado” podia ajudá-lo.

Néfi e vários outros profetas do Livro de Mórmon utilizarão a história do êxodo de Israel em seus ensinamentos. Trata-se de um marco importante na história do povo de Deus – a libertações de Israel do Egito. É comparável a história dos pioneiros mórmons. Relembramos o poder de libertações dos primeiros santos desta dispensação. Ao refletir sobre a vida de fé desses homens e mulheres que lutaram para estabelecer Sião em nossos dias, chegamos ao mesmo entendimento de Néfi: “o Senhor tem poder para livrar-nos [hoje], como livrou nossos pais [e pioneiros]; e para destruir Labão, como destruiu os egípcios.”

 

Fui conduzido pelo Espírito

Apesar de toda exortação de Néfi – e de um anjo lhes ter aparecido – Lamã e Lemuel continuavam a reclamar. Eles, porém, junto com Sam, que estava ao lado de Néfi (embora não fosse do tipo falante), foram até as muralhas da cidade. Era de noite – e Néfi sozinho penetrou “sorrateiramente na cidade” e foi até a casa de Labão. Ele disse:

“E fui conduzido pelo Espírito, não sabendo de antemão o que deveria fazer. Não obstante, segui em frente”

Eis um grande e poderoso ensinamento. Néfi sabia que tinha que cumprir a ordem do Senhor, dada através do profeta – buscar as placas. ele sabia que Deus prepararia um caminho se ele fosse fiel. Ele não estava desanimado devido as dificuldades e grandes oposições, advindas, inclusive, os irmãos mais velhos, que deveriam ser um exemplo para ele. Ele apenas seguiu adiante.

O Élder Dallin H. Oaks, do Quórum dos Doze Apóstolos ensinou que

“receberemos as inspirações do Espírito quando tivermos feito tudo o que podíamos, quando estivermos sob o sol trabalhando, em vez de ficar sentados na sombra orando por orientação quanto ao primeiro passo a se tomar” (“Em Seu Próprio Tempo, a Seu Próprio Modo”, A Liahona, agosto de 2013, pg. 24).

O Élder Ronald A. Rasband, do Quórum dos Doze Apóstolos, também disse algo sobre sobre o que Néfi ensina:

“Devemos fazer o mesmo [que Néfi]. Devemos confiar na primeira impressão que recebermos. Às vezes racionalizamos, questionamos se é uma impressão espiritual ou se são apenas nossos pensamentos. Quando começamos a questionar o que sentimos — coisa que todos já fizemos —, rejeitamos o Espírito, pois questionamos o conselho divino. O Profeta Joseph Smith ensinou que, se derem ouvidos à primeira inspiração, as coisas darão certo 90% das vezes.” (Conferência Geral, abril de 2017)

Néfi mata Labão e obtém as placas

Néfi encontrou Labão bêbado e inconsciente. Após ser impelido pelo Espírito várias vezes, Néfi mata Labão, recolhe suas roupas, se disfarça, encontra o servo de Labão chamado Zorá, vai  até o tesouro, pega as placas e retorna até seus irmãos. Muitos se perguntam como Deus poderia ter ordenado, através de Seu Espírito, que Néfi matasse um homem. Bem, as razões são tem bem explicadas no próprio texto que qualquer outra explicação é apenas nota de rodapé. Veja:

  1. “fui compelido pelo Espírito a matar Labão”. Néfi sabia que o Espírito o compelia – não era sua imaginação. Ele conhecia a voz de Deus. Apesar da relutância dele, pois nunca fizera correr sangue humano – ele entendeu a mensagem espiritual claramente.
  2. “o Espírito disse-me outra vez: Eis que o Senhor o entregou em tuas mãos”. Néfi recebeu uma nova mensagem do Espírito. Ele sabia  que Labão “procurara tirar-me a vida e que não daria ouvidos aos mandamentos do Senhor; e também se apoderara de nossos bens.”
  3. Néfi ouviu a mensagem pela terceira vez: “Mata-o, pois o Senhor entregou-o em tuas mãos.” E o Espírito acrescentou: “Eis que o Senhor mata os iníquos, para que sejam cumpridos seus justos desígnios. Melhor é que pereça um homem do que uma nação degenere e pereça na incredulidade.” Quando o Espírito disse isso Néfi se lembrou que sem as escrituras seus descendentes pereceriam.

Então Néfi obedeceu a Deus. Para os leitores da Bíblia mandamentos deste tipo – de enfrentar o mal, matar iníquos e guerrear não são novidade. Davi matou o gigante Golias, Abraão saiu em guerra contra cinco reis e Elias matou vários profetas de Baal no monte Carmelo. O próprio Salvador disse: “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada” (Mateus 10:34). Isso não significa que não desejemos a paz. Jesus é o príncipe da paz – e ordenou ao seu povo que fosse pacifico. Mas não somos pacifistas. Em certas ocasiões especificas quando a família e a religião estão em risco de extinção o Senhor permite – e até ordena que nos defendamos (Alma 43:47).

A conclusão é simples: quando Deus ordenar devemos fazer. É evidente que ,tal como Néfi, devemos ter certeza de que é Deus que ordena. O profeta Joseph Smith disse:

“Adotei a seguinte regra: Quando o Senhor ordenar, faça-o” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, capítulo 13

Leia 1 Néfi 4 aqui.

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Comentários de 1 Néfi 3 – Irei e cumprirei #8