Mulheres são a cola do mundo

Dez anos atrás, eu estava na minha primeira designação no Oriente Médio. Eu estava nervosa. O primeiro evento da viagem foi uma conferência de casais em Amã, Jordânia. Eu cheguei um dia mais cedo, pensando em me preparar para a conferência. Em vez disso, eu acabei ajudando a Sister Jeri Cook na sua cozinha branca e bem usada, e conversando com ela enquanto cozinhávamos. Quando me ofereci para ajudar, a primeira coisa que ela me pediu foi para fazer um bolo com instruções em árabe, e quando o bolo estava esfriando, pediu-me que cortasse vegetais, fritasse hambúrgueres, e fizesse duas grandes panelas de sopa.

Receita Cozinha árabe bolo

Imagem via LDS.org.

Com nós duas trabalhando, tivemos muito tempo para conversar sobre como ela e seu marido se casaram quando eles tinham 18 anos, como que tiveram a coragem para deixar Pleasant Grove, em Utah, ainda jovens e sem dinheiro, para aceitar um emprego na Arábia Saudita, e como ela estava amando sua missão na Jordânia.

Eu perguntei sobre seus familiares, que estavam nas fotos na geladeira, e ela falava de cada um deles com muito orgulho. Sempre que um novo casal chegava na conferência, a Sister Cook parava o que quer que estivesse fazendo e jogava seus braços ao redor deles num abraço. Eles estavam esgotados com todo o irritante processo de passar pela fonteira, e pelo trânsito pesado, e ela os acolhia para dentro.

Enquanto isso, seu esposo, o Élder Cook, estava ocupado em outros detalhes: planejando toda a logística para pegar o Élder Holland no aeroporto; ao telefone, confirmando o compromisso do dia seguinte no Ministério da Saúde; e pechinchando com o cara do óleo do aquecedor. Se alguém perguntasse qual dos dois estava sendo mais produtivo naquele dia na missão deles, como alguém poderia responder a essa pergunta?

Mas naquela tarde, os cinco casais sentaram-se à grande mesa da sala de jantar e compartilharam histórias enquanto comiam pão, sopa, bolo e suco. Foi uma refeição acolhedora numa mesa calorosa, e a camaradagem fluiu de tal forma que as pessoas iriam lembrar com carinho dessa ocasião depois de suas missões. Os casais estavam cansados e exauridos de suas designações. Eu estava nervosa quanto à essa nova posição que eu não sabia como cumprir. Eu percebi que foi o serviço bondoso da Sister Cook que nos deu a base para o descanso, fé e felicidade que sentimos naquela noite.

Visita Jordânia e Jerusalém

Jeri Cook e Sharon Eubank. Imagem via LDS.org.

Nós, mulheres, somos frequentemente como a Sister Cook. Nós colocamos nossos braços ao redor das pessoas que vêm e vão. Nós temos a porta da geladeira cheia de fotos de pessoas que amamos. Nós colocamos uma mulher mais jovem sob nossas asas e a envolvemos com o que quer que estejamos fazendo enquanto conversamos. Não tenho dúvidas de que moveríamos o mundo por aquelas pessoas, as mesmas que estão naquelas fotos nas paredes de nossa cozinha. Mas, muitas vezes, por não querermos assustá-las com o nosso poder de abençoar e curar, movemos o mundo com um pouco de sopa e bolo por vez. Elas talvez nunca reconheçam que o universo se alinhou para o bem delas. Talvez somos cegados a achar essas coisas normais porque nossa mãe faz coisas maravilhosas por nós na nossa frente todos os dias. Talvez ela esteja, toda noite, servindo sopa e bolo ao mundo todo.

Eu gostaria de ter um nome melhor para isso, mas as mulheres são chamadas para serem a cola. Nós somos a ligação de união e bondade. Vocês vêem isso nas matriarcas de suas vidas que estão no centro das coisas. Elas se aproximam e incluem as pessoas, elas acham coisas importantes para que as pessoas façam, elas se certificam de que as coisas certas são ditas e feitas para que as coisas continuem funcionando, elas fazem isso ser divertido, e elas nos fazem rir.

Essa união, essa ligação, essa cola é o ingrediente para a conversão ao evangelho de Jesus Cristo, ingrediente esse que está na maioria de nossas doutrinas básicas.

Alma convida aqueles que vão se batizar a “carregar[em] os fardos uns dos outros, para que fiquem leves” (Mosias 18:8).

E o Senhor diz a Moisés: “Como um natural entre vós será [a] estrangeir[a] que peregrina convosco; amá-[la]-ás como a ti mesmo” (Levítico 19:34).

Jesus diz claramente em Doutrina e Convênios: “Sede um; e se não sois um, não sois meus” (D&C 38:27).

As mulheres são chamadas para ser a cola. Nós somos a ligação de unidade e bondade.

Quando eu fui chamada pela primeira vez para servir na Sociedade de Socorro, eu fiquei surpresa com a quantidade de mulheres que sentavam-se comigo e me diziam: “eu não sou uma mulher típica da Sociedade de Socorro. Não sou como todo o mundo. Não sou politicamente conservadora. Não fico em casa. Não sou a mulher perfeita. Meus filhos têm problemas. Já me divorciei duas vezes. Tenho pecados dos quais não consigo largar. Tenho dúvidas doutrinárias. A Sociedade de Socorro aumenta minha ansiedade.” Depois de ouvir isso e muito mais, percebi que nenhuma de nós se enquadra naquela mulher perfeita.

A Sociedade de Socorro é o lugar exato para todas nós que não nos “enquadramos”. Ela é organizada, sob as chaves do sacerdócio, para que as mulheres tenham um lugar para crescer, progredir, construir sua fé, falar da realidade da vida familiar e lamentar umas com as outras por todas as coisas absurdas e ridículas que acontecem conosco enquanto somos mortais.

Não podemos aceitar aquelas vozes que dizem que a Sociedade de Socorro se resume a um círculo de costura ou clube do livro para pessoas que têm os mesmos interesses e mesma situação de vida. Não, a Sociedade de Socorro tem um trabalho a fazer na Terra. E quando você pertence à Sociedade de Socorro, você faz parte desse trabalho. O Senhor tem uma responsabilidade para as mulheres no trabalho de salvação que só nós podemos fazer. E esse trabalho só pode ser feito por mulheres verdadeiramente convertidas ao Senhor.

A Sister Addie Fuhriman, que era do Conselho Geral da Sociedade de Socorro, disse em 1980: “O Senhor viu nossas semelhanças assim como nossas diferenças, e deu valor às duas. E dessa sabedoria, Ele providenciou uma Sociedade de Socorro onde os princípios do evangelho, aqueles que tocam o coração e a vida de cada mulher – você, eu, jovem, idosa, casada, solteira, etc. – pudessem ser ensinados.”

À essa lista eu ainda acrescentaria mulheres: com deficiências, em recuperação de vícios, novas na Igreja, de linhagem dos pioneiros, americanas, sírias, chilenas, samoanas, que trabalham, que ficam em casa com as crianças, procurando um emprego, pobres, ricas, com dívidas, felizes, deprimidas, bipolares, autistas, à serviço de outros, sendo servidas, liberais, conservadoras, indiferentes, imigrantes, lésbicas, convertidas e não convertidas. A questão é: Podemos abrir o círculo de nossa irmandade à mais dessas diversas situações e vê-las como algo de valor ao invés de considerá-las como defeituosas? Se você fizer dessa forma, estará sendo uma mulher com mãos que ligam.

É como se você colocasse cola nas suas mãos e elas secassem, mas ainda grudassem. E quando vocês estendem as mãos à outras pessoas, com essa cola, vocês irão segurar firme nas pessoas com quem vocês se importam. Vocês irão trazê-las para dentro. Vocês são o bom Samaritano. Vocês são as que buscam a ovelha negra. Vocês se ligam às pessoas e não quebram mais essa ligação. Vocês se tornam um exemplo para as pessoas, um exemplo de tolerância e boa vontade que “colam” o mundo quando as mulheres tentam.

Fortalecer nossos irmãos e irmãs mostra o quão convertidas estamos à Jesus Cristo. Esses atos de união e amor geralmente não são vistos ou reconhecidos, mas assim como os atos de Jeri Cook, eles perduram por um bom tempo. E nós mulheres que fazemos isso seremos a cola.

Do discurso principal feito na Conferência de Mulheres da BYU, no dia 4 de Maio de 2017. Segue o link para ler o discurso completo: “Eyes to See, Discipline to Create, Glue to Bind – Converted unto the Lord.

Artigo escrito por Sharon Eubank, Primeira Conselheira na Presidência Geral da Sociedade de Socorro, no Blog do site LDS.org. Traduzido por Nathan Kutomi.

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