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O milagre das gaivotas foi exagerado? Historiadores SUD explicam

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Os visitantes que passam perto do Assembly Hall na Praça do Templo provavelmente verão a estátua de ouro com duas gaivotas com as asas abertas e no topo de uma coluna de granito a quase 10 metros de altura.

O monumento, esculpido por Mahonri M. Young, foi dedicado pelo Presidente Joseph F. Smith em 1913. Ele carrega a inscrição: “Erigido em grata lembrança da misericórdia de Deus para com os pioneiros mórmons”.

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A estátua celebra o conhecido relato de 1848 das gaivotas brancas que engoliram vastos enxames de grilos pretos para salvar os pioneiros mórmons do segundo ano de fome no Vale do Lago Salgado. Os santos dos últimos dias e os seus descendentes consideram esses eventos como intervenção divina. Em 1955, a gaivota da Califórnia foi nomeada o pássaro do estado de Utah. Muitos artistas também recriaram a história de fé em pinturas.

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“O milagre das gaivotas” (óleo sobre tela) de Jessie Cowley Larson (1912-) no Museu da cidade de Brigham CIty, em exposição até 29 de março. Cortesia do Museu. (Arquivos do Deseret News)

“As gaivotas elevaram o espírito dos pioneiros e preservaram o restante das suas colheitas durante um período escassez”, escreveu John Hart, antigo editor do LDS Church News. “O resgate oportuno das plantações dos pioneiros continua a ser uma fonte de inspiração e incentivo para aqueles do presente como foi para os pioneiros do passado.”

Enquanto o “milagre das gaivotas” ainda promove a fé 170 anos mais tarde, historiadores SUD como Steven Harper, o falecido William Hartley e Casey Griffiths, professor de história da Igreja na BYU, procuraram esclarecer certos aspectos da história que foram aumentados.

“Como vários outros relatos populares de eventos históricos importantes e incomuns, os detalhes da situação dos grilos de 1848 ao longo dos anos tem sido simplificados, melhorados e recebido características um tanto lendárias”, Hartley escreveu. “O fato é, todavia, que os pioneiros mórmons em 1848 teriam sofrido mais do que sofreram se as gaivotas não tivessem vindo em seu auxílio. Fisicamente, as gaivotas ajudaram a evitar um completo desastre agrícola (…). A história do Milagre das gaivotas continua a ser uma expressão de sua fé apropriada como uma expressão da fé para os pioneiros mórmons e seus descendentes.”

Encontrar a verdade

Observar o que aconteceu de forma realista pode ajudar os leitores a apreciar melhor eventos históricos que expressam a esperança e a fé. É uma mensagem que o Élder Quentin L. Cook, membro do Quórum dos Doze Apóstolos, recentemente compartilhou com os alunos em um devocional da BYU-Idaho.

“Algumas pessoas deturparam, de propósito, histórias do nosso passado para semear a dúvida. Em resposta, plantamos fé ao estudar mais sobre a história da Igreja”, disse o Élder Cook. “Ao aprender mais, ligaremos nosso coração aos dos santos de ontem e de hoje. Vamos encontrar exemplos de pessoas imperfeitas, que foram em frente com fé e permitiram que Deus trabalhasse por intermédio deles para realizar o Seu trabalho. Ao fazê-lo, veremos melhor como Ele pode trabalhar por meio de pessoas imperfeitas como você e eu.”

O conselho do Élder Cook pode se relacionar com o milagre das gaivotas. Olhar para a história da perspectiva dos pioneiros — com gelo e uma infestação de grilos ameaçando a sua fonte de alimento — deixou-os desesperados, disse Harper.

“Tudo isso é verdade e o real motivo da preocupação. A história é quase sempre muito mais complicada do que as histórias claras que repetimos uns para os outros”, disse Harper. “Como historiador, estou interessado em como os santos da época entenderam. “O que isso significou para eles na época e posteriormente? Há cartas e relatos em diário que mostram que eles pensaram que foi providencial. Pensaram que o Senhor interveio e meio que virou o jogo.”

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O Milagre das gaivotas, de Minerva Teichert. (Igreja SUD)

Harper e Griffiths dão as seguintes dicas para estudar eventos na história da Igreja.

Há mais de uma maneira de ver um evento histórico, Harper disse.

“É perigoso presumir que há apenas uma maneira de vê-lo porque no final alguém irá mostrar-lhe que há outra maneira, e se não estivermos preparados para ver as coisas por várias perspectivas, ficaremos chateados”, disse Harper.

Há valor em fazer o trabalho necessário para encontrar e estudar a partir de relatos em primeira mão e fontes primárias. Várias testemunhas são ainda melhores.

Todo mundo sabe que um relato feito pela ‘boca de duas ou três testemunhas’ geralmente produz uma versão mais precisa da história. Diferentes perspectivas nos ajudam a discernir a verdade, porque até mesmo um participante direto pode cometer erros”, disse Griffiths. “Ao mesmo tempo, temos de ter cuidado com as fontes que usamos”.

Lembre-se que para rastrear a história de modo preciso é necessário trabalho árduo, Griffiths disse.

“Mas há um poder que vem de realizar o trabalho para saber se o que você considera sagrado é realmente verdade. Tendemos a procurar o caminho de menor resistência quando se trata de nosso aprendizado (…) Um pouco de estudo, pensamento e trabalho árduo pode tornar nossas experiências com lugares e eventos sagrados muito mais gratificantes e mais condutores ao Espírito porque mostramos nossa devoção à verdade por realmente, quando a buscamos de modo intencional.”

Griffiths continuou: “Se a verdade é nosso objetivo, então não temos nada a temer. Alguns eventos na história da Igreja podem ser difíceis de lidas à primeira vista, mas vale a pena despender o trabalho para entender e contextualizar os acontecimentos da maneira certa. Amo a complexidade da história da Igreja.”

 

Fonte: LDSLiving

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Publicado por: Luciana Fiallo
Tradutora e intérprete de formação e paixão. Escolheu essa profissão para, no futuro, poder fazer lição de casa com os filhos e continuar trabalhando.
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