O Livro de Abraão faz parte das escrituras padrões utilizadas pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. O livro contém detalhes históricos da vida de Abraão, princípios astronômicos, físicos e espirituais e um entendimento mais profundo da natureza de Deus e do Plano de Salvação.

Apesar dos duros e constantes ataques nos últimos 180 anos, uma análise cuidadosa ao conteúdo do livro demonstra o porquê dele estar mais firme e forte do que nunca. Confira abaixo um resumo de alguns dos fatos interessantes relacionados à obra:

1. Qual é a origem do Livro de Abraão?

Em 1835, Antonio Lebolo, um agente do governo Francês que trabalhava no Egito com a exportação de antiguidades, após descoberta na antiga cidade de Thebes, enviou um carregamento de múmias e papiros Egípcios que eventualmente seriam vendido nos Estados Unidos. Tais antiguidades eram exibidas de cidade a cidade como a primeira grande coleção de artefatos Egípcios no país. Com o passar do tempo, os donos das exibições começaram a comercializar algumas porções destes objetos. [1]

Na época em que a coleção de artefatos chegou em Kirtland, Joseph Smith foi inspirado a comprá-los e com esse objetivo, diversos membros da Igreja uniram seus recursos financeiros para assegurar a aquisição dos papiros. O dono dos papiros Michael Chandler no entanto apenas se dispora a vender os papiros em conexão com as múmias. Dessa forma, o profeta Joseph Smith comprou uma coleção de quatro múmias e diversos rolos e fragmentos de papiros pelo valor de $ 2.400. [2]

Em Julho de 1835 o profeta Joseph Smith então declarou:

“Iniciei a tradução de alguns dos caracteres e hieroglífos, e para a nossa alegria descobrimos que um dos rolos de papiro continham os escritos de Abraão. Verdadeiramente podemos dizer que o Senhor começou a revelar a abundância de paz e verdade.” [3]

2. Como foi realizada a tradução do Livro de Abraão?

Ainda em 1835, Joseph Smith então iniciou a tradução da porção dos papiros referentes ao Livro de Abraão. Embora o método exato empregado na tradução do livro não seja totalmente claro, registros históricos indicam que por algum motivo Joseph utilizou diferentes meios para concluir a tradução.

John Whitmer, que foi um historiador da Igreja em 1831 declarou:

“Joseph o vidente viu estes registros e por revelação de Jesus Cristo pôde traduzí-los (…) que quando estiver totalmente traduzido será uma maravilhosa história e de grande valor para os santos.” [4]

O Presidente Willfor Woodruff por sua vez declarou:

“O Senhor está abençoando Joseph com poder para revelar os mistérios do Reino de Deus; Para traduzir por meio do Urim e Tumim registros e hieroglífos antigos como Abraão e Adão, que fez com que nossos corações ardessem dentro de nós, enquanto nos deparamos com suas gloriosas verdades reveladas a nós.” [5]

Dessa forma, evidências indicam que ao menos dois métodos foram mencionados como tendo sido utilizado por Joseph no processo de tradução, sendo por meio de revelação (sem utilização de qualquer instrumento ou necessidade em visualizar os papiros) e pelo Urim e Tumim, que consistia no uso de uma pedra preparada pelo Senhor, que quando visualizada dentro de um chapéu, exibia inscrições com a tradução correspondente.

É importante notar que o uso da palavra “tradução” no contexto dos eventos pós restauração não possui o mesmo significado utilizado atualmente, que consiste na atividade acadêmica de transmitir com precisão o conteúdo de um texto de um idioma para outro. Baseado nessa percepção moderna do significado da palavra “tradução”, é comum vermos na Igreja obras de arte que retratam Joseph traduzindo o Livro de Mórmon através de um contato direto com as placas de ouro, algo que jamais de fato aconteceu.

3. Onde se encontram os papiros atualmente?

O Site oficial da Igreja lds.org explica:

Após a morte de Joseph Smith e a saída dos Santos de Nauvoo, os artefatos Eípcios foram deixados para trás. Em 1856, [após a morte da mãe do profeta, Emma Smith] vendeu os papiros e as múmias. Os papiros foram divididos e vendidos a diferentes indivíduos. Historiadores acreditam que a maior parte foi destruída no grande incêndio de Chicago no ano de 1871. Dez fragmentos de papiros que estavam sob a posse de Joseph Smith terminaram no Museu Metropolitano de Arte em Nova York. Em 1967, o Museu trasnferiu esses fragmentos para a Igreja, que subsequentemente os publicou na revista da Igreja, “The Improvement Era”. [6]

4. Quantas e quais partes dos papiros a Igreja possui atualmente?

Atualmente, a Igreja possui apenas 13% dos papiros e fragmentos originais . As porções então retornadas à Igreja consistiam em:

1. O original do Facsímile 1
2. Dois fragmentos do Livro das Respirações
3. Fragmentos do Livro dos Mortos que pertencia a Tshemmin
4. Apesar de não estar entre os papiros recuperados, Joseph possuía também o Hipocéfalo de Sheshonk (Facsímile 2) [7]

5. Qual é a relação entre o Livro de Abraão e os papiros e fragmentos em posse da Igreja atualmente?

Após o retorno à Igreja de alguns fragmentos dos papiros originais possuídos por Joseph Smith, alguns Egiptólogos que tiveram a oportunidade de examinar as inscrições notaram que nenhum dos caracteres presentes nos papiros mencionavam o nome de Abraão ou qualquer dos eventos mencionados no Livro de Abraão, renovando debates a cerca da autenticidade da tradução de Joseph Smith dos papiros.

Em 1968, menos de dois meses após a descoberta dos papiros no Museu de Nova York, a Igreja publicou na revista “Improvement Era” que dos onze fragmentos obtidos, dez se referiam ao Livro das Respirações e partes do Livro dos Mortos, que consistia em um antigo e comum ritual funerário depositado em corpos mumificados, e um se referia ao Facsímile 1. Tal anúncio eliminava a equivocada ideia de que o Livro de Abraão provinha de qualquer um daqueles papiros (com exceção do Facsímile 1), alegação esta jamais feita pela Igreja. [8]

6. Por que o texto do Livro de Abraão não se harmoniza com os papiros possuídos pela Igreja atualmente?

Como mencionado anteriormente, apenas uma pequena porção dos papiros originais (cerca de 13%) estão sob o poder da Igreja atualmente, enquanto evidências históricas indicam que a maior parte foi destruída no grande incêndio de Chicago em 1871. O Livro de Abraão não foi traduzido da minúscula porção de papiros existentes na Igreja atualmente, mas da porção destruída em Chicago.

O site oficial da Igreja novamente explica:

“Testemunhas oculares falaram de um “longo rolo” ou “múltiplos rolos” de papiro. Considerando que apenas um fragmento sobrevive, é provável que a maior parte do papiro acessível a Joseph Smith quando traduziu o Livro de Abraão não estejam entre esses fragmentos. A perda de uma porção considerável do papiro (cerca de 87%) significa que a relação entre o papiro e o texto publicado não pode ser determinada de maneira definitiva com referência direta ao papiro.” [9]

O historiador da Igreja Hugh Nibley sobre isso declarou:

“Somos informados que os papiros estavam em perfeitas condições quando Joseph Smith os obteve, e que um deles quando desenrolado no chão, se extendia por cerca de dois cômodos da casa”. [10]

Outros registros indicam ainda que tal papiro possuía cerca de 3 metros de comprimento, indicando que a quantidade de papiros existentes originalmente era muito superior aos fragmentos em poder da Igreja em nossos dias. Isso fornece evidência ainda mais sólida de que Joseph de fato traduziu o Livro de Abraão de uma outra porção dos pergaminhos.

7. De que época eram os papiros datados?

Quando Joseph obteve os papiros, declarou que “um dos rolos continha os escritos de Abraão” [11] e que o Livro de Abraão havia sido escrito “por sua própria mão” [12]. Entretanto, técnicas de datação utilizadas nos fragmentos existentes atualmente indicam que são datados de algum período entre 300 a.c e 100 d.c., muito tempo após a vida e morte de Abraão.

Como poderia então Abraão ter escrito nos papiros com “sua própria mão”? O historiador John Gee sobre isso explicou que há uma grande diferença “entre a data de um texto (a informação contida no papiro) e a data de existência de um manuscrito”. [13]

Gee acrescentou:

“A data de um texto é a data em que o texto foi escrito pelo autor. Um texto pode ser copiado em vários manuscritos ou traduzido para outros idiomas. Nesse caso, esses manuscritos ou traduções terão datas diferentes e posteriores em relação ao texto original. Quando nos referimos à data de um texto, nos referimos à data do texto original. Por exemplo, o texto do Evangelho de Mateus foi escrito no primeiro século da Era Cristã mas os manuscritos mais antigos que possuímos de Mateus foram copiados no terceiro século.” [13]

Dessa forma, é plausível que Joseph se referisse a Abraão como autor e não escriba do livro. Nesse caso, Abraão era o autor dos papiros da mesma forma que Mateus é o autor do primeiro livro do Novo Testamento de sua Bíblia.

8. Que informações presentes no Livro de Abraão Joseph Smith não tinha como saber?

1. O Senhor ensina Abraão sobre o Universo, e Abraão por sua vez ensina aos Egípcios. Documentos Egípcios antigos atestam essa alegação. [24]
2. Joseph contrariando a interpretação de alguns Egiptólogos conecta o Fac-símile 1 à estadia de Abraão no Egito. Papiros Egípcios do século III conectam Abraão a uma ilustração similar ao Fac-símile 1. [25]
3. Joseph indica que o Fac-símile 1 se referia à ocasião em que Abraão era oferecido em Sacrifício ao Deus Elquena. Um texto Egípcio descoberto no século XX relata um cenário quase idêntico ao proposto por Joseph. [26]
4. Joseph Smith representou as quatro figuras na figura 6 do fac-símile nº 2 como “esta terra em seus quatro cantos”. Uma interpretação semelhante tem sido defendida por pesquisadores que estudam figuras idênticas em outros textos egípcios antigos. [16]
5. O Livro de Abraão menciona um local chamado “planície de Olisem” (Abraão 1:10), local inexistente em todo o texto bíblico, mas presente em inscrições do imperador Naram Sin datado de 2250 a.c. [27]

O site oficial da Igreja lds.org declara ainda:

“Outros detalhes no livro de Abraão são encontrados em tradições antigas localizadas em todo o Oriente Médio. Esses detalhes incluem Terá, pai de Abraão, como um idólatra; uma fome impressionante na terra natal de Abraão; A familiaridade de Abraão com os ídolos do Egito; e Abraão ter menos de 75 anos, quando deixou Harã, como diz o relato bíblico. Alguns destes elementos extrabíblicos estavam disponíveis em livros apócrifos ou comentários bíblicos na época de Joseph Smith, mas outros foram confinados em tradições não bíblicas inacessíveis ou desconhecidas aos americanos do Século XIX.” [16]

9. Que princípios ensinados no Livro de Abraão esclarecem pontos pouco compreendidos sobre a Bíblia?

Além de detalhes adicionais não presentes na Bíblia sobre a vida de Abraão, o livro solidifica ainda o entendimento sobre diversas doutrinas do Evangelho que se perderam após a Apostasia da Igreja primitiva. Alguns exemplos:

1. Utilização do Urim e Tumim como ferramenta de auxílio no recebimento de revelação (Abraão 3:1-17)
2. Detalhes adicionais sobre a esfera onde Deus habita (Abraão 3:2-16)
3. A contagem de tempo utilizada por Deus em relação à nossa (Abraão 3:5-7)
4. Detalhes adicionais sobre o Convênio Abraâmico (Abraão 3:14)
5. A glória de um astro ou indivíduo não é determinada por tamanho mas sim proximidade à Kolob e a Deus. (Abraão 3:16-17)
6. Mais informações sobre a natureza das inteligências e como elas se relacionam com Deus. (Abraão 3:18-23)
7. Vida pré-mortal (Abraão 3:18-23)
8. Natureza eterna dos Espíritos (Abraão 3:18-19)
9. Doutrina da pré-ordenação (Abraão 3:23,24)
10. Natureza pré-mortal de Jesus Cristo (Abraão 3:24-28)
11. Detalhes adicionais do processo de criação da Terra. (Abraão 3:24)
12. Natureza e mecanismo do Plano de Salvação (Abraão 3:25)
13. Matéria é eterna e jamais foi nem pode ser criada, mas apenas organizada, desorganizada e reorganizada. (Abraão 4:1)
14. Conselho nos Céus. (Abraão 5:1-3,5)

Fac-símile 1

Dentre os papiros recuperados pela Igreja, o único que possui ligação direta com o Livro de Abraão é o Facsímile 1, que representa a ocasião em que Abraão era oferecido como sacrifício por meio do Sacerdote de Elquena a mando de seus pais, após caírem em idolatria. (Abraão 1:5-7)

Cenas similares ao Fac-símile 1, geralmente chamadas de “Sofá Leão” são comuns em diversos sítios arqueológicos e normalmente retratam rituais de mumificação ou da ressurreição do deus Horus. No entanto, atualmente diversos Egiptólogos discordam que o Fac-símile 1 tenha relação com qualquer um desses rituais.

Uma observação cuidadosa da imagem registrada no Fac-símile 1 demonstra diferenças cruciais em relação às cenas de rituais de mumificação ou ressurreição:

1. O indivíduo deitado no Sofá Leão está com as duas mãos extendidas à frente de seu rosto, o que sugere que tentava se defender.
2. Abraão está vestido com algum tipo de tecido. Em cenas de mumificação, o indivíduo geralmente está completamente nu ou completamente mumificado.
3. Nenhuma outra cena Sofá Leão demonstra o indivíduo deitado com bracelhetes e algum tipo de tornozeleira, como demonstrado no Fac-símile 1
4. Uma análise à imagem original do Fac-símile 1 demonstra que o indivíduo em pé está ENTRE Abraão e o Sofá Leão, detalhe extremamente incomum, visto que nas demais cenas comuns de mumificação, o indivíduo em pé está sempre atrás do sofá. Novamente, tal detalhe sugere a ideia de movimento, ou em outras palavras, Abraão se debatendo.
5. Nenhuma outra cena de mumificação contém as definições de “Expansão” ou “Firmamento” como demonstrado no Fac-símile 1
6. As pernas de Abraão abertas novamente sugerem a ideia de movimento e tal elemento não se harmoniza com cenas comuns de mumificação
7. Algo que aparenta ser uma faca nas mãos do sacerdote [14]


A foto acima constitui o pergaminho original do Fac-símile 1 do Livro de Abraão, tirada na ocasião em que visitei a Biblioteca de História da Igreja em Salt Lake City.

O relato do Livro de Abraão é ainda reforçado por documentos como “The Apocalypse of Abraham” e o “Livro Apócrifo dos Jubileus” que descrevem a descrença de Abraão nos deuses idólatras de seus pais. [15]

O site oficial da Igreja indica ainda mais evidências da autenticidade da interpretação de Joseph para o Fac-símile 1:

“As explicações de Joseph Smith sobre os fac-símiles do livro de Abraão contêm observações adicionais do mundo antigo. O fac-símile nº 1 e Abraão 1:17 mencionam o deus idólatra Elquena. Essa divindade não é mencionada na Bíblia, mas estudiosos modernos identificaram esse deus entre os deuses que eram adorados pelos mesopotâmios antigos. Joseph Smith representou as quatro figuras na figura 6 do fac-símile nº 2 como “esta terra em seus quatro cantos”. Uma interpretação semelhante tem sido defendida por pesquisadores que estudam figuras idênticas em outros textos egípcios antigos. O fac-símile nº 1 contém uma divindade em forma de crocodilo nadando no que Joseph Smith chamou de “o firmamento sobre nossa cabeça”. Essa interpretação faz sentido à luz de um estudo que identifica concepções egípcias do céu, com “um oceano celeste”.” [16]

A pergunta que não quer calar é… Como poderia Joseph saber de todas essas coisas?

Fac-símile 2

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A figura representada no Fac-símile 2 é conhecida entre estudiosos como “Hipocéfalo”, que constitui um pequeno disco feito de papiro ou outro material e era colocado em baixo da cabeça do cadáver tendo o objetivo de tornar o falecido um ser divino. [17] O desafio de interpretação do Fac-símile 2 se torna ainda maior quando consideramos o fato de que a Igreja não possui o disco original, mas apenas uma cópia restaurada e imprecisa do original.

Hipocéfalos como entendidos antigamente, simbolizavam “o olho de Deus”. Sendo a “obra e glória de Deus levar a efeito a vida eterna e imortalidade de Seus filhos” (Moisés 1:39), é interessante notar que a interpretação dada por Joseph ao Fac-símile 2 remete a alguns elementos do Plano de Salvação, como por exemplo:

1. Colobe, o qual Joseph demonstrou significar “a primeira criação, a mais próxima do celeste, ou seja, da morada de Deus. A primeira em governo, a última pertencente ao cálculo de tempo.” Colobe também é definida como a estrela governante de todo o Universo, e responsável pelo nosso modo de contar o tempo, visto que um dia em sua superfície equivale a mil anos terrestres.

2. A Coroa de luz eterna, representando a autoridade e poder de Deus e as palavras-chave do Sacerdócio.

3. Representação do firmamento dos céus e contagem de tempo de Olíblis, que é igual a de Colobe.

4: Representação do Sol e da Terra e do Espírito Santo [18]

A interpretação de Joseph para o Fac-símile 2 se tornou ainda mais sólida quando Egiptólogos descobriram que Egípcios em tempos passados associavam esse tipo de figura a Abraão.[19] Joseph também associou a figura 6 como “a terra em seus quatro cantos,” interpretação inicialmente ridicularizada por críticos, mas que o tempo e descobertas posteriores demonstraram estar absolutamente correta.[20]

Egiptólogos indicam que Hipocéfalos como o Fac-símile 2 representam uma espécie de manual de instrução para falecidos encontrarem seu caminho no mundo dos espíritos. Simbolismos presentes neste Fac-símile podem ser encontrados nos Templos da Igreja e similarmente, guiar vivos a auxiliar falecidos em seu retorno à presença de Deus.

Fac-símile 3
O Livro de Abraão - Contexto, Origem e Evidências Arqueológicas
No Fac-símile 3 Abraão está no Egito, sendo representado como estando sentado no trono de Faraó enquanto ensina princípios de Astronomia aos Egípcios. Sobre isso, Joseph Smith declarou:

“O estudo dos Egípcios e seu conhecimento sobre Astronomia foi sem dúvidas ensinado a eles por Abraão e José, como seus registros testificam, que receberam do Senhor.” [21]

Críticos novamente atacam a autenticidade do Livro de Abraão indicando que a tradução e interpretação de Joseph para o Fac-símile 3 não se harmoniza com fatos históricos atestados pela Egiptologia.

Na Enciclopédia do Mormonismo aprendemos com o pesquisador Michael Rhodes que a figura do Fac-símile 3 historicamente representa o julgamento dos mortos diante do trono de Osíris. Ao analisar as figuras 2 e 4 do Fac-símile 3 é possível notar com clareza que se tratam de figuras femininas, enquanto Joseph declarou tratar-se do Rei Faraó e seu Príncipe. Por que então Joseph retratou figuras femininas como homens? Michael D. Rhodes sobre isso declarou:

“A associação desses Fac-símiles com O Livro de Abraão pode ser explicado como uma tentativa de Joseph Smith de encontrar ilustrações nos papiros que possuía que combinassem o máximo possível com as revelações que recebera enquanto traduzia o Livro de Abraão.” [22]

Em outras palavras, é provável que Joseph tenha recebido revelação sobre a vida de Abraão enquanto traduzia os papiros e tenha utilizado o Fac-símile 3 como uma maneira de ilustrar e tornar visível o princípio de que Abraão estivera no Egito e ensinara Astronomia à Faraó.

Apesar do que parece ser uma inconsistência na interpretação de Joseph, descobertas Egípcias novamente dão apoio aos elementos citados em sua interpretação do Fac-símile 3 como por exemplo:

1. Escritores primitivos como Artapanus (que viveu antes do primeiro século) mencionam Abraão indo e permanecendo no Egito por um período de 20 anos ao passo que ensina Astronomia.

2. Documentos datados de 1310 d.c. mencionam Abraão sentado no trono do Rei. [23]

Conclusão

Embora o conteúdo do Livro de Abraão continue a ser amplamente debatido, atacado e defendido de um ponto de vista acadêmico, mais forte do que qualquer argumento, evidência histórica ou descoberta arqueológica é e sempre será uma análise sincera à mensagem que ele contém.

Leitores que com uma mente aberta e coração sincero cuidadosamente buscarem estudá-lo e compreendê-lo, descobrirão não apenas respostas para o que muitos consideram “mistérios de Deus,” mas uma mensagem pessoal de amor e vida cujo remetente é “Seu Pai” e o destinatário é você.

Artigo originalmente publicado no Intérprete Nefita.

Fontes:

[1] H. Donl Peterson, The Story of the Book of Abraham: Mummies, Manuscripts, and Mormonism (Salt Lake City: Deseret Book, 1995), 36–85
[2] Joseph Smith History, 1838–1856, vol. B-1, 596, available at josephsmithpapers.org
[3] History of the Church, 2:236
[4] John Whitmer, quoted in Karen Lynn Davidson, Richard L. Jensen, and David J. Whittaker, eds., The Joseph Smith Papers, Histories, Vol. 2: Assigned Histories, 1831–1847 (Salt Lake City, Utah: The Church Historian’s Press, 2012), 86.
[5] Wilford Woodruff journal, February 19, 1842.
[6] Translation and Historicity of the Book of Abraham, Gospel Topics, www.lds.org
[7] The Book of Abraham, Kevin Barney, 2013; Michael Rhodes, Studies in the Book of Abraham
[8] Improvement Era (January 1968), 12–16.
[9] Gospel Topics on LDS.org, (8 July 2014)
[10] Hugh W. Nibley, “Phase One,” Dialogue: A Journal of Mormon Thought 3(Summer 1968)
[11] Joseph Smith, History of The Church of Jesus Christ of Latter-day Saints, 7 volumes, edited by Brigham H. Roberts, (Salt Lake City: Deseret Book, 1957)
[12] “”A Translation”,” Times and Seasons 3 no. 9 (1 March 1842), 704
[13] John Gee, A Guide to the Joseph Smith Papyri (Provo, Utah: FARMS, 2000)
[14] Book of Abraham Facsimile 1: The “lion couch” scene, FairMormon
[15] The Apocalypse of Abraham (70-150 d.c.); Jubileus 12:1-8
[16] Tradução e Autenticidade Histórica do Livro de Abraão, Gospel Topics em lds.org, 2014
[17] Michael D. Rhodes, The Joseph Smith Hypocephalus … Seventeen Years Later [F.A.R.M.S. paper, RHO-94]
[18] Manual da Pérola de Grande Valor, O Livro de Abraão; 2000
[19] Edith Varga, “Le Fragment d’un hypocéphale égyptien,” in Bulletin du Musée Hungrois des Beaux-Arts 31 (1968): 12–15; Edith Varga, “Les travaux préliminaries de la monographie sur les hypocéphales,” Acta Orientalia Academiae Scientarun Hungaricae 12 (1961): 247; Rhodes, “Joseph Smith Hypocephalus”; Gee, “References to Abraham Found in Two Egyptian Texts”; Gee, “Abracadabra, Isaac and Jacob,” 29, 77–80; and Gee, “Abraham in Ancient Egyptian Texts,”
[20] The Mummy: A handbook of Egyptian funerary Archaeology; Cambridge University
[21] Teachings of the Prophet Joseph Smith, 251
[22] Michael Rhodes, in Daniel H. Ludlow, ed., “Book of Abraham,” Encyclopedia of Mormonism
[23] Bradley J. Cook, “The Book of Abraham and the Islamic Qisas al-Anbiya< (Tales of the Prophets) Extant Literature,” Dialogue 33/4 (2000): 127—46.
[24] John A. Tvedtnes, Brian M. Hauglid, e John Gee, eds., Traditions about the Early Life of Abraham, Studies in the Book of Abraham, ed. John Gee, vol. 1, Provo, UT: Foundation for Ancient Research and Mormon Studies, 2001, pp. 8–9. Para ver outras referências sobre Abraão ensinando astronomia, ver, por exemplo, Tvedtnes, Hauglid, e Gee, Traditions about the Early Life of Abraham, pp. 7, 35–43.
[25] Trechos de P. Leiden I 384 (PGM XII), em Tvedtnes, Hauglid, e Gee, Traditions about the Early Life of Abraham, pp. 501–502, 523.
[26] John Gee, “An Egyptian View of Abraham”, em Andrew C. Skinner, D. Morgan Davis, e Carl Griffin, eds., Bountiful Harvest: Essays in Honor of S. Kent Brown, Provo, UT: Maxwell Institute, 2011, pp. 137–156
[27] Daniel C. Peterson, “Mormonism as a Restoration,” FARMS Review 18/1 (2006): 390–417. off-site wiki; citing See John M. Lundquist, “Was Abraham at Ebla? A Cultural Background of the Book of Abraham (Abraham 1 and 2),” in Studies in Scripture, Volume 2: The Pearl of Great Price, ed. Robert L. Millet and Kent P. Jackson (Salt Lake City: Randall Book, 1985), 233–35; Paul Y. Hoskisson, “Where Was Ur of the Chaldees?” in The Pearl of Great Price: Revelations from God, ed. H. Donl Peterson and Charles D. Tate Jr. (Provo, UT: BYU Religious Studies Center, 1989), 136 n. 44; John Gee, “A Tragedy of Errors (Review of By His Own Hand Upon Papyrus: A New Look at the Joseph Smith Papyri by Charles M. Larson,” FARMS Review of Books 4/1 (1992): 93–119

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