O artigo a seguir foi extraído do livro da irmã Oaks, “A Single Voice”. 

As pessoas solteiras que são mais velhas muitas vezes são centro de grande atenção e carinho quando parentes amorosos procuram persuadir, fazer piadas, incitá-los e provocá-los sobre casamento, não percebendo a falta de parceiros compatíveis disponíveis. Estes esforços são feitos a partir de amor e preocupação genuínos, mas muitas vezes eles só aumentam nossa sensibilidade para nossa condição de solteira.

Monica, minha vizinha, observou que quando seu querido irmão mais velho completou 35 anos e não era casado, sua família ficou nervosa. Entre os mórmons, não ser casado se torna um assunto de família. Não basta os solteiros agonizar sozinhos. Cada parente parece afetado pela pessoa solteira. As mães preocupam-se com suas filhas e choram pelos netos que ainda não têm. Os pais tornam-se ansiosos por suas filhas que não têm ninguém para cuidar delas. Os homens solteiros são frequentemente interrogados sobre quem eles estão namorando e como vai o relacionamento. Quando alguém em uma família não se casa, toda a família pode tornar-se apreensiva pelo futuro dessa pessoa. Há um mal-estar geral que algo não está bem.

Os pais desempenham um papel primordial na vida de seus filhos. Sua influência e opinião são fundamentais na vida dos seus descendentes. A primeira sentença do Livro de Mórmon testifica do seu impacto:

“Eu, Néfi, tendo nascido de bons pais, recebi, portanto, alguma instrução em todo o conhecimento de meu pai” (1 Néfi 1:1).

Experiência pessoal a irmã Oaks como mórmon solteira

Eu sei por experiência própria como filha que ama profundamente os pais como me senti inadequada e frustrada em seus olhos, porque não me casei na época em que eles esperavam. Toda as minhas três irmãs mais novas casaram-se anos antes de mim. Minha solteirice importava apenas a mim, mas em minha família, parecia ter se tornado o fato dominante. Meus pais sentiam a minha dor e a transmitiam a mim, até mesmo intensificada— o que nunca foi a intenção deles.

Nada jamais foi dito sobre minha solteirice. Muito pelo contrário, na verdade. Meus pais me amavam, me incluíam, me davam presentes e me convidaram para jantar e para acompanhá-los nas férias. Eles elogiavam minhas realizações e observavam as minhas roupas. Ainda assim, senti uma angústia silenciosa sobre minha futura felicidade e segurança. Isto, na verdade, foi confirmado quando conheci meu marido. Meus pais derramaram lágrimas de alívio. Eles foram tão consolados pelo meu casamento e não apenas porque meu marido é um apóstolo. Eu poderia ter me casado com qualquer homem justo. Eles apenas desejavam que eu tivesse um companheiro e amigo que tomasse conta de mim.

Embora eu tenha sido apanhada no delírio de felicidade que toda noiva vivencia, eu estava também mais do que um pouco triste com o alívio deles porque achei que minha vida de solteira tinha sido muito maravilhosa. Eu tinha me sustentado bem, trabalhado no mundo todo, eu tinha uma vida cheia de aventura e bondade. Havia uma parte de mim que desejava que eles tivessem celebrado e respeitado minha vida de solteira como eu fiz. Não quero eles esqueçam como foi significativa e importante aquela parte da minha vida para mim.

profetisa

Conselhos a irmã Oaks aos pais de solteiros

Era natural para os meus pais ter preocupação por mim. Os pais de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos dias recebem mandamento de seu Pai Celeste de vigiar e instruir seus filhos:

“Pois isto será uma lei para os habitantes de Sião (…) E também ensinarão seus filhos a orar e a andar em retidão perante o Senhor.” (D&C 68:26–28)

Os pais recebem mandamento de ensinar aos seus filhos os caminhos do Senhor, então eles podem governar a si mesmos. Os frutos de tal crença e viver são o casamento celestial e a família. Mas às vezes esses frutos parecem demorar a vir. Pode ser que nem venham nesta vida. Nunca desejaria para que os pais chorassem ou se preocupassem porque um filho não é casado. Acredito que os pais não são os principais responsáveis pelo casamento de seus filhos. A paternidade é feita em conjunto com o Pai Celestial. Lembre-se do quanto Ele nos ama e que Ele está lá para ajudar os pais e seus filhos.

Às vezes só por deixar os filhos se governarem faz com que eles cresçam… Nossas experiências, positivas ou negativas, não têm que nos impedir de construir um casamento feliz.

A maior expectativa de nosso Pai Celestial é que os pais ensinem os filhos a amá-Lo e honrá-Lo. O Senhor está satisfeito com a nossa devoção a Ele, não importa qual é nosso estado civil. Essa crença é confirmada a mim pela seguinte escritura: “Porque minha alma se deleita com o canto do coração; sim, o canto dos justos é uma prece a mim e será respondido com uma bênção sobre sua cabeça” (D&C 25:12). O Senhor não diz que só bons cantores ou artistas de ópera fazem preces a Ele. As promessas feitas por Ele são aos “justos”.  A qualidade da nossa fé e a condição de nosso coração são o que importam, sejamos casados ou não. Nosso verdadeiro valor é como filhos de um Pai Celestial que nos ama.

Conselhos a irmã Oaks para todos os membros solteiros

Uma mãe com uma filha de trinta anos que nunca havia casado, tornou-se desanimada e amarga sobre o estado dela e me pediu um conselho. A mãe confidenciou: “Eu tenho dito a ela que ela receberá as bênçãos, se ela for paciente. Eu quero aconselhá-la com a verdade, e não estou pronta para dizer-lhe que ela talvez não se case.”

Eu disse à mãe: “Ouça sua filha e tente entender os sentimentos dela. Diga-lhe que tudo ficará bem e que nunca perca a esperança. Nossa responsabilidade é apenas fazer a nossa parte. O Senhor nos dará a vida que for melhor para nós. De uma maneira ou de outra, não será fácil.”

Durante um seminário, conheci outra mãe preocupada e sua adorável filha solteira de trinta e poucos anos. A mãe me contou que os parentes masculinos da família foram quase insistentes em dizer que aquela jovem estava negando casamento porque ela era simplesmente muito exigente quanto a um marido em potencial. A mãe disse-me em particular: “Eu me preocupo com ela também, mas ela é muito devota, firme e justa. Ela lê as escrituras, ora, presta serviço, frequenta o templo e é ativa na Igreja. Ela é a filha perfeita. Eu acredito que ela está perto do Espírito e toma decisões corretas.”

A mãe me perguntou: “O que você acha? Outras oportunidades se apresentaram a você? Como você esperou? Como soube com quem deveria se casar?”

mulheres na igreja

Resposta da irmã Oaks

Minha resposta a ela é a resposta que eu daria a todos os solteiros: Siga o Espírito. O casamento é o convênio mais importante que você fará. Quando considerei seriamente os outros antes de conhecer meu marido, algo sempre obstruía a relação; de algum modo não dava certo. Quando orei e jejuei em outras situações, às vezes eu não senti nada. Às vezes senti-me confusa e às vezes senti-me coberta de tristeza. Com essas outras oportunidades de namoros, sempre achei que estava me contentando com alguém que não era completamente certo para mim — mesmo que ele fosse uma pessoa maravilhosa.

Quando eu conheci o Élder Oaks e começamos a namorar, foi uma experiência mais tranquila e agradável. Não foi difícil ou traumático. Eu o amava e respeitava. Você apenas deve considerar o casamento com alguém que você ama e respeita com todo seu coração. Qualquer coisa menos do que isso será eternamente inadequado.

Nunca deixe as opiniões e a pressão exercida sobre você por outros indevidamente influenciar sua escolha de um parceiro de casamento. A mais importante escolha que fazemos na eternidade é com quem nos casamos. O Élder Bruce R. McConkie disse de modo memorável:

“Acredito que a coisa mais importante que qualquer santo dos últimos dias faz neste mundo é se casar com a pessoa certa, no lugar certo, pela autoridade certa; e que depois—quando eles foram então selados pela autoridade e poder que Elias, o profeta restaurou—a outra coisa mais importante que qualquer santos dos últimos dias possa fazer é viver de acordo com os termos e condições do convênio feito que estão em vigor agora e para sempre.”

Essa escolha é pessoal e sagrada.

Escrito pela irmã Kristen M. Oaks, extraído do livro “A Single Voice” e publicado em LDSLiving.com.

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