Pornografia: vendida como benéfica, terrível em seus efeitos

É bem provável que você já viu alguma forma de pornografia na sua vida.

Aproximadamente 70% dos homens e 30% das mulheres assistem à pornografia regularmente.[1] De fato, 25% de todas as pesquisas de internet estão relacionadas à pornografia – 68 milhões, por dia, de pesquisas desse tipo, sem incluir os downloads, emails, textos e chats relacionados a isso.[2]

Muitas pessoas afirmam que a pornografia é uma coisa boa, uma ferramenta para melhorar a performance do parceiro, aliviar o estresse, dar educação sexual, uma forma saudável de recreação e que ainda talvez previna abusos sexuais. Ela pode ser vista em várias formas na mídia, e é amplamente aceita como uma alternativa apropriada à intimidade física.

Mas os opositores à pornografia, assim como estudos científicos, pintam um cenário bem diferente. Então, como exatamente a pornografia é prejudicial? E como você pode quebrar esse hábito a partir do momento que ele começa a impactar negativamente a sua vida e seus relacionamentos?

De Que Forma a Pornografia é Viciante?

De acordo com Valerie Voon, PhD em Ciência Médica, que faz pesquisas sobre os cérebros de pessoas viciadas, “os cérebros de pessoas que vêem pornografia compulsivamente assemelham-se aos de alcoólatras assistindo a propagandas de bebida alcoólica.”[3]

Isso acontece porque assistir à pornografia libera uma quantidade gigantesca de dopamina no cérebro, o estimulante que nos dá sensações de prazer e felicidade. Contudo, depois um certo tempo, o cérebro da pessoa que assiste à pornografia se ajusta à essa elevação de dopamina e elimina algumas das células receptoras, com o intuito de não ficar sobrecarregado, o que causa menor prazer sexual.

“Dessa forma, usuários de pornografia sentem a necessidade de ver mais pornografia, ou ver com mais frequência, ou de ver versões mais fortes dela – ou as três juntas – para gerar mais e mais dopamina para sentir prazer… tentar reduzir o hábito pode levar a sintomas de abstinência, semelhantes aos de usuários de drogas ”[4]

Infelizmente, isso significa que você terá menos prazer nas outras coisas que costumavam te fazer feliz, como amizades, esportes, comida, ou amor, levando muitos viciados em pornografia a sofrer de ansiedade e depressão.

A Pornografia Diminui o Prazer Sexual

Não parece um paradoxo? Mas na verdade, não é.

O estímulo virtual da pornografia proporciona uma experiência sexual diferente daquela proveniente da intimidade e do sexo entre duas pessoas presentes. Quanto mais a pessoa viciada condiciona seu cérebro ao estímulo digital, mais e mais ela vai desejar aquela fantasia sexual que costuma ver na tela, e passa a ter menos prazer sexual com uma mulher real, que provavelmente não parecerá nem agirá como uma super atriz pornô.

Aqueles que assistiam à pornografia regularmente “relataram que estavam menos satisfeitos com a aparência física, performance sexual, e nível de afetividade do seu parceiro e, ainda, com maior vontade de ter relações sexuais sem envolvimento emocional.”[5] Na verdade, mais de 50% dos viciados em pornografia já não têm mais o interesse em sexo de verdade.[6]

Além disso, aqueles que vêem pornografia, especialmente para os homens, treinam seus cérebros e corpos a responderem à níveis mais elevados e anormais de dopamina, de forma que fica cada vez mais difícil de serem excitados por uma pessoa real. Isso pode afetar negativamente a habilidade de manter a ereção nas relações sexuais reais, causando disfunção erétil generalizada até entre os adolescentes e jovens adultos, diminuindo o prazer e até acabando com a capacidade de começar uma relação sexual.

A Pornografia Promove Agressões e Abusos Sexuais

A pornografia é uma indústria multibilionária que sabe muito bem como nos asfixiar com, “jogar” na nossa cara – e ainda glamorizar – ações semelhantes ao estupro de outros, de mulheres (principalmente), de jovens e até de crianças.

Alguns usuários de pornografia afirmam que eles assistem somente ao pornô leve (soft porn) e que, dessa forma, não são afetados; ou, ainda, que suas preferências mais pesadas de pornô não afetam o tipo de tratamento sexual que dão aos seus parceiros na cama. Mas estudos em andamento, sobre a pornografia e seus efeitos, têm mostrado que não é bem assim que acontece.

A campanha “Fight the New Drug” (Lute contra a Nova Droga) descobriu que, de acordo com 33 estudos, “a exposição à pornôs violentos ou não-violentos aumentou o comportamento agressivo, que inclui desde fantasias violentas a abusos violentos reais.”[7]

“… Ainda que esse parceiro não tenha comportamentos sexuais agressivos ou violentos, ele ainda estará vendo retratos distorcidos de sexo que irão, inevitavelmente, corromper seu entendimento sobre amor e relacionamentos.”[8]

Quase sempre, a pornografia nos apresenta à, retrata e glamoriza ações que são abusivas, degradantes, e até perigosas. Isso perpetua o mito de que as mulheres gostam desses comportamentos e nos incute ideais sexuais falsos, causando confusão e frustração às pessoas quando, depois, tentam replicá-los. Tudo isso faz com que aqueles que vêem pornografia sejam, na verdade, mais propensos à agressividade nos seus relacionamentos, ao invés de se engajarem numa intimidade mutuamente salutar.

A Pornografia Causa Danos aos Relacionamentos e às Famílias

Relacionamentos fortes, saudáveis e românticos se baseiam na confiança, em procurar genuinamente a felicidade do outro e nas intimidades emocional, mental e física. Mas, de acordo com a publicação Monitor on Psychology (Monitoramente da Psicologia), da Associação de Psicologia Americana, “Quando um dos parceiros vê pornografia com muita frequência… pode existir uma tendência dele se afastar emocionalmente num relacionamento. ‘Aumento de segredos, menor intimidade e também mais depressão’, é o que relatam aqueles homens.”[9]

Além dos efeitos sobre aquele que vê pornografia, esse hábito também causa efeitos sobre o seu parceiro, devido à exigência de comportamentos e frequência sexuais não realistas e até abusivos. Num estudo, entre aqueles feitos por psicólogos, “as universitárias… que perceberam o quão problemático era que seus namorados vissem pornografia, sentiam baixa-estima, uma qualidade mais baixa no relacionamento e menor satisfação sexual.”[10]

O uso de pornografia aumenta as chances de infidelidade no casamento, porque enfraquece a ligação entre maridos e mulheres, e estimula atividades sexuais independentes e fora do casamento. De maneira sucinta, a pornografia geralmente traz, junto do aumento de segredos, culpa, decepções nas vidas dos que vêem pornografia, e sentimentos de dor, vergonha, rejeição e traição da confiança aos corações daqueles que eles mais amam.

Livrando-se da Pornografia

Livrando-se da pornografia

Então, como se livrar da pornografia depois que isso passou a fazer parte da sua vida? Vamos mostrar aqui sete das melhores ideias para te ajudar a vencer esse hábito e melhorar a sua vida.

Admita que o problema existe e que ele está lhe causando danos. Muitos que vêem pornografia justificam seu hábito ao acreditarem que não há nenhum efeito negativo nisso. É só quando você percebe o impacto negativo desse hábito, e tem um desejo genuíno de parar com ele, que você vai achar as forças para vencê-lo.

Diga à alguém que você confia. Ninguém vence um vício por conta própria, e tendo um sistema seguro de suporte, de pessoas que te amam, pode fazer toda a diferença. Você tem pessoas na sua vida que te darão amor e ajuda quando você se sentir fraco, como seu cônjuge, sua namorada, seu bispo, um amigo, ou mais de um desses juntos.

Encontre uma atividade salutar como substituta. Vencer um hábito negativo deixa um espaço vazio na sua vida; e a melhor forma de resistir à tentação é preenchê-la com alguma coisa melhor. Para lidar com algumas dificuldades da vida (como dor, solidão, estresse, desânimo ou tédio) desenvolva atividades mais salutares como: praticar um esporte, fazer uma corrida, ligar para um amigo, descobrir um novo hobby, ou ler as escrituras. Encontre algo saudável para se distrair e isso o ajudará a recuperar-se mais facilmente.

Decida nunca mais ver pornografia, ao invés de ver uma vez ou outra. Deixar que a pornografia continue na sua vida fará da recuperação praticamente impossível, e não consertará nenhum dos problemas implícitos. Se você disser a si mesmo que “tudo bem uma ‘veizinha’ só de vez em quando,” então você vai cair de novo naquele hábito quando surgir um momento de fraqueza. Saia do computador. Vá tomar um ar. Consiga um Ad Blocker. Evite ficar até tarde da noite sozinho. Fique longe disso a qualquer custo. Decida hoje e agora que você quer parar e que a pornografia não é opção.

Ore. A sua força de vontade não é suficiente. Seu “desejo de parar”, apenas, não é infalível. Felizmente, você pode contar com uma força que é maior que a sua. Você tem um Pai Celestial que te ama e que se preocupa com seu processo de cura, mais do que você imagina. O Salvador morreu por você, pelas suas imperfeições e dificuldades, para que você possa voltar à Ele e ser plenamente curado e perdoado. Ele não te abandonou e não te abandonará. Através do poder da oração, você nunca precisa estar sozinho, e você tem toda a ajuda dos Céus à sua disposição, quando surgirem momentos de fraqueza.

Encontre e se cadastre em programas de recuperação de vício. Além do seu sistema de suporte, ter um grupo de suporte de pessoas na mesma situação que você, e que sabem exatamente o quão difícil é largar o vício, pode fazer toda a diferença e ainda te ajudar a galgar todos os passos da recuperação. Existem muitos desses grupos, e que são bons, por aí. Nós pessoalmente te recomendamos o addictionrecovery.lds.org (link em português), que tem ajudado muitas pessoas com diferentes tipos de vícios. Essa ferramenta é oferecida por A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e é de graça.

Nunca desista. O caminho para a recuperação é uma maratona, e não 100 metros rasos. Vai levar um tempo, e toda a sua capacidade mental, para que você consiga mudar esse hábito. Se você cair no caminho, não é o fim da sua recuperação. Sempre tente novamente, aceitando o fato de que você caiu, e recomece de onde parou, seguindo em frente com a ajuda de familiares, de amigos, de seu sistema de suporte e do Senhor.

Tudo isso vale a pena. Você não mais precisa sucumbir às imposições de um vício, da depressão, da culpa, dos segredos, ou de repúdio próprio. Você pode se livrar da influência degradante e corrosiva da pornografia, influência essa que enfraquece a sua determinação, seu auto-respeito e seus relacionamentos. Sim, você pode se sentir limpo, livre e feliz de novo.

 

[1]  http://visual.ly/america-addicted-porn
[2]  http://www.huffingtonpost.com/2013/05/03/internet-porn-stats_n_3187682.html
[3]  http://www.apa.org/monitor/2014/04/pornography.aspx
[4]  http://fightthenewdrug.org/how-porn-affects-your-sexual-tastes
[5]  http://learn.ftnd.org
[6]  http://visual.ly/america-addicted-porn
[7]  http://learn.ftnd.org
[8] http://fightthenewdrug.org/porn-taught-my-boyfriend-to-think-abuse-is-sexy
[9]  http://www.apa.org/monitor/2014/04/pornography.
[10]  https://theaddictionadvisor.com/pornography-and-sex-addiction-is-there-a-link/

 

 

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