Placas de OuroCom o “momento Mórmon” se estendendo no ano de 2012, o Centro Pew de Pesquisa sobre Religião e Vida Pública liberou uma inovadora pesquisa, é a primeira vez que uma organização de pesquisa não-SUD realiza uma sondagem que se concentra exclusivamente nos membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e suas crenças, valores, percepções e preferências políticas.

A pesquisa intitulada “Os mórmons nos Estados Unidos: Certos de suas crenças, incertos de seu lugar na sociedade”, foi realizada entre os dias 25 de outubro a 16 de novembro de 2011, de uma amostra nacional de 1.019 entrevistados que se identificaram como mórmons. Os resultados validam uma série de estereótipos de longa data (a maioria dos mórmons norte americanos são brancos, com bom nível educacional, politicamente conservadores e ativos na religião), e proporcionam algumas surpresas interessantes (cuidar dos pobres e dos necessitados é uma prioridade para os SUD, enquanto beber café e assistir a filmes que não são “censura livre”, não são mais um tabu para os membros comuns como se pensava).

“Embora este estudo esteja sendo publicado no meio de uma campanha eleitoral controversa, não é exclusivo ou principalmente sobre política”, disse Luis Lugo, diretor do Centro de Pesquisas Pew, no prefácio do estudo. “Pelo contrário, esperamos que ele vá contribuir para um entendimento mais amplo do público a respeito dos mórmons e do mormonismo em um momento de grande interesse”.

Por exemplo, em uma seção muito interessante da nova pesquisa, os entrevistados foram convidados a responder a várias perguntas sobre o que é essencial para ser um bom mórmon. Segundo a pesquisa, 80 por cento disseram “acreditar que Joseph Smith viu Deus o Pai e Jesus Cristo”, 73 por cento – “trabalhar para ajudar os pobres”, 51 por cento – “realizar as noites familiares”, 49 por cento – “não beber café e chá” e 32 por cento disseram “não assistir a filmes que sejam liberados para todos os públicos”.

“Para ser honesto, eu achei surpreendente e muito bom o sentimento de que ‘trabalhar para ajudar os pobres’ seja essencial para ser um bom mórmon”, disse David Campbell, um membro da Igreja SUD que é professor associado da Universidade de Notre Dame e que prestou consultoria ao Centro de Pesquisa Pew nesta pesquisa. “Como um mórmon, espero que seja assim, mas eu não sabia com certeza o que esperar. É bom ver a genuína compaixão da Igreja para com os pobres e necessitados refletidos nestes números”.

As pessoas que não pertencem à igreja podem ou não estarem cientes da inclinação SUD em realizar um serviço compassivo e outras características distintivas. Segundo a pesquisa, 62 por cento dos Mórmons pensam que os americanos são geralmente mal informados sobre o mormonismo, e 68 por cento sentem que não são vistos como parte da sociedade americana tradicional. Mas eles continuam otimistas, com 63 por cento expressando a crença de que o mormonismo acabará por se tornar parte da sociedade tradicional e 56 por cento dizem que o povo americano está pronto para eleger um presidente mórmon.

De fato, o otimismo é um dos temas que emergem da pesquisa em relação aos Santos dos Últimos Dias. 87 por cento dizem que estão satisfeitos com a maneira como as coisas estão indo em sua própria vida, e 92 por cento dizem que suas respectivas comunidades são excelentes (52 por cento) ou bons (40 por cento) lugares para se viver (isto é especialmente verdadeiro entre os mórmons de Utah, dos quais 71 por cento dizem que suas comunidades são excelentes).

Mas, evidentemente, o otimismo só vai tão longe com os Mórmons.

“Eu acho interessante que os entrevistados são esmagadoramente positivos sobre suas comunidades. Amam suas comunidades e ali tudo está bem”, disse Marie Cornwall, professor de sociologia da Universidade Brigham Young e outro assessor do Centro de Pesquisa Pew sobre este estudo. “Mas quando você pergunta a eles como as coisas no país estão indo atualmente, eles são esmagadoramente (75 por cento) insatisfeitos. Poderíamos pensar que a satisfação com a vida pessoal seria um fator que influenciaria seus sentimentos sobre como as coisas estão indo no país, mas parece haver uma total desconexão”.

Deve-se notar que a visão Mórmon de como as coisas estão indo no país atualmente se assemelham à opinião do público americano como um todo, entre os quais 78 por cento disseram que estavam insatisfeitos em um levantamento realizado em 2011 pelo Centro de Pesquisas Pew.

De um modo geral, a nova pesquisa analisa os Mórmons e suas perspectivas em quatro áreas principais: política e ideologia, crenças e práticas religiosas, questões culturais e morais e a vida familiar.

Politicamente, há poucas surpresas. A maioria dos mórmons (66 por cento) se descreve como politicamente conservador, e 74 por cento dos eleitores Mórmons se identificam ou inclinam-se para o Partido Republicano. Filosoficamente, 75 por cento dos entrevistados responderam que preferem um estado menor, prestando menos serviços do que um estado maior, prestando mais serviços.

Mitt Romney é um dos políticos favoritos, sendo visto favoravelmente por 86 por cento de todos os mórmons e 94 por cento dos Mórmons republicanos. Mesmo entre os Mórmons democratas, 62 por cento tem uma atitude favorável a Romney.

Ao falarmos dos outros Mórmons que estão concorrendo à presidência, Jon Huntsman, é visto favoravelmente por 50 por cento dos eleitores Mórmons, enquanto o presidente Barack Obama é visto favoravelmente por 25 por cento – um pouco à frente na classificação conferida a outro politico Mórmon: o Senador Harry Reid (22 por cento).

Curiosamente, os Santos dos Últimos Dias parecem divididos sobre a questão da imigração. Eles também estão divididos igualmente se os imigrantes fortalecem os Estados Unidos por causa de seu talento e trabalho duro (45 por cento) ou sobrecarregam os empregos, habitação e serviços de saúde dos americanos (41 por cento).

Campbell, que é um especialista no campo da religião, política e engajamento cívico, disse que não ficou surpreso com esse resultado.

“Embora os mórmons sejam caricaturados como sendo de direita, sobre a questão da imigração eles não são”, disse ele. “A própria igreja tem sido uma voz de moderação bastante ativa sobre esta questão, e que resultou em uma atitude mais positiva em relação aos imigrantes do que outros grupos religiosos conservadores tendem a ser”.

Campbell sugere que o programa missionário da Igreja SUD tem algo a ver com isso, com Santos dos Últimos Dias que tendem a desenvolver uma visão de mundo mais ampla, como resultado de seu trabalho missionário ao redor do mundo. Em qualquer caso, disse ele, “esse resultado que conta contra o estereótipo”.

Em termos de crenças e práticas religiosas, a pesquisa deixa claro que os mórmons são altamente religiosos – de novo, nenhuma surpresa. 82 por cento dizem que a religião é muito importante em suas vidas, e 77 por cento dizem acreditar sinceramente em todos os ensinamentos da igreja. 83 por cento dizem que oram todos os dias, 79 por cento dizem que doam 10 por cento de seus ganhos para a igreja como forma de dízimo e 77 por cento dizem que vão à igreja pelo menos uma vez por semana. De acordo com a Pew, “os mórmons apresentam os maiores níveis de atividade religiosa comparados com outros grupos religiosos, incluindo os brancos protestantes evangélicos”.

Ao analisarmos as crenças básicas e o núcleo da religiosidade vemos que 98 por cento dizem acreditar na ressurreição de Jesus Cristo, 94 por cento acreditam que o presidente da Igreja SUD é um profeta de Deus, 95 por cento acreditam que as famílias podem ser unidas eternamente pelas cerimônias do templo, 94 por cento acreditam que Deus, o Pai e Jesus Cristo são seres separados e possuem corpos físicos e 91 por cento acreditam que o Livro de Mórmon foi escrito por profetas antigos.

Podemos dizer com certeza que os mórmons são crentes.

Mas eles são cristãos? 97 por cento dos Mórmons pensam assim. E quando perguntado qual palavra melhor descreve os mórmons, as respostas mais comuns foram “cristão” e “centrados em Cristo”. A título de contraste, um estudo realizado em novembro pelo Centro de Pesquisas Pew revelou que quase metade (49 por cento) dos adultos não mórmons dos Estados Unidos dizem que o mormonismo não é cristão ou que eles não tem certeza se eles são ou não são cristãs. Nesse mesmo estudo, quando os entrevistados foram convidados para uma palavra que melhor descreve a Igreja SUD, a resposta mais dada foi “culto”.

Culturalmente, o conservadorismo Mórmon se estende a uma ampla variedade de questões morais. Poligamia (86 por cento), o sexo entre adultos solteiros (79 por cento), aborto (74 por cento) e álcool (54 por cento) são vistos como moralmente reprováveis. Divórcio, por outro lado, é amplamente considerada “como uma questão não moral” (46 por cento).

Do mesmo modo, 65 por cento dos entrevistados disseram que a homossexualidade deve ser desencorajada pela sociedade, em comparação com 58 por cento do público em geral que dizem que a homossexualidade deve ser aceita pela sociedade.

Os Mórmons gostam de usar a frase: “Estar no mundo sem ser do mundo”, Campbell observou. “Eles são ativos e participativos em suas comunidades, mas eles têm essas crenças e práticas que os diferenciam um pouco, e às vezes isso cria conflito ou tensão. A homossexualidade é uma daquelas questões em que, com ou sem razão, os mórmons tem uma posição diferente da maioria da sociedade americana”.

A pesquisa também mostra como a vida familiar é importante para a maioria dos membros da Igreja SUD. Entre as prioridades da vida estão, ser um bom pai (81 por cento) e ter um casamento bem-sucedido (73 por cento) maior do que as preocupações com a carreira, tempo livre ou mesmo viver uma vida religiosa. Cerca de 67 por cento dos adultos Mórmon são casados (em comparação com 52 por cento do público em geral), e 85 por cento deles são casados com outro Mórmon.

“Como a Igreja e seus membros estão cada vez mais o foco de atenção da mídia, estamos ansiosos para participar de ocasiões que ajudem o público a nos conhecer melhor”, disse o porta-voz da Igreja SUD Michael Purdy. “Mesmo que o recente estudo da Pew não tenha entrevistado nenhum dos oito milhões de membros da Igreja SUD que vivem fora dos Estados Unidos, ele destaca alguns aspectos importantes a respeito de quem somos e no que acreditamos”.

“Por exemplo”, continua Purdy, “o estudo descobriu que os membros da Igreja subscrevem as crenças cristãs tradicionais, têm elevados padrões morais, são esmagadoramente satisfeitos com suas vidas e comunidades, são ativos em servir os outros e tem uma profunda dedicação à família. Estes resultados refletem a mensagem da Igreja, de que um profundo compromisso com os ensinamentos de Jesus Cristo traz felicidade duradoura”.

Falando em nome do Centro de Pesquisas Pew, Lugo disse que a idéia de realizar a pesquisa nasceu no verão passado, “na época em que uma reportagem de capa da Newsweek e um artigo do New York Times declararam que os Estados Unidos estava passando por um “momento Mórmon”.

“Isso nos fez pensar”, Lugo disse no prefácio da pesquisa. “Ao longo dos anos, inúmeras pesquisas têm medido as atitudes do publico para com os mórmons, que compõem cerca de 2 por cento de todos os adultos dos Estados Unidos. Mas o que os Mórmons pensam sobre o seu lugar na vida americana? Com a proeminência crescente de membros da Igreja SUD na política, na cultura popular e na mídia, os Mórmons se sentem mais seguros e aceitos na sociedade americana? O que eles pensam sobre as outras religiões? No que eles acreditam, como praticam a sua fé e o que eles vêem como essencial para ser um bom mórmon e levar uma boa vida?”

Um painel de consultores foi recrutado para ajudar o pessoal da Pew a fazer o levantamento. O painel contou com um número de santos dos últimos dias que têm experiência profissional em estudos e pesquisas Mórmons, incluindo Campbell, Cornwall, Matthew Bowman de Hampden-Sydney College, Givens Terryl da Universidade de Richmond e Allison Pond do Deseret News.

“Nós os ajudamos a formular as perguntas, e moldá-las no tipo de linguagem que os mórmons usam”, disse Campbell.

Após um período de testes, a pesquisa foi realizada entre os entrevistados que se identificaram como mórmons (que também incluia perguntas de qualificação, que deixou claro que os entrevistados eram membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em oposição a outras igrejas cujos membros podem referirem-se a si mesmos como Mórmons).

“Desde que os mórmons representam cerca de 2 por cento da população, você teria que falar com 98 pessoas antes de encontrar um mórmon, isso aumentaria muito o custo da pesquisa”, disse Cornwall, que também é editor da Revista para o Estudo Científico da religião. “Mas eles tinham uma maneira extravagante de encontrar os mórmons, mesmo contatando aqueles que haviam participado de levantamentos anteriores, por isso foram capazes de obter sua amostra de uma forma economicamente viável.”

Houve também o cuidado para garantir que a pesquisa incluísse aqueles que tinham linhas de telefone fixo, bem como aqueles que possuíam apenas telefones celulares – uma área de crescente preocupação entre aqueles que realizam pesquisas de opinião pública atualmente.

Outras descobertas interessantes da pesquisa da Pew sobre os Mórmons foram:

71 por cento dos entrevistados residem no oeste americano, 53 por cento vivem nos estados das Montanhas Rochosas e 34 por cento vivem em Utah;

88 por cento são brancos, 7 por cento são hispânicos, 1 por cento negros e 4 por cento de outras raças e etnias;

50 por cento dizem que os cristãos evangélicos são geralmente hostis aos Mórmons;

54 por cento dizem que a forma como a sua religião é retratada na televisão ou nos filmes fere a imagem da sociedade mórmon;

57 por cento dos Mórmons disse que a maioria ou todos os seus amigos mais próximos são mórmons (esse número foi significativamente maior em Utah, onde o número é de 73 por cento);

65 por cento dos entrevistados dizem que possuem uma recomendação válida para o templo;

27 por cento dizem acreditar na yoga não apenas como exercício, mas como uma prática espiritual;

11 por cento dizem acreditar em reencarnação;

74 por cento foram criados na Igreja SUD;

59 por cento dos conversos citam as crenças da igreja como a principal razão de terem se unido a ela;

59 por cento dos conversos juntaram-se a igreja entre as idades de 18 e 35 anos;

27 por cento serviram uma missão de tempo integral, incluindo 43 por cento dos homens e 11 por cento das mulheres;

82 por cento dizem que têm um suprimento de alimentos armazenados, e 58 por cento mantem pelo menos uma reserva de três meses.

A margem de erro da pesquisa é 4,5 pontos percentuais para mais ou para menos.

“Acho que essa pesquisa é um resumo muito bom da comunidade Mórmon que frequenta a igreja semanalmente”, disse Cornwall. “Eu não tenho certeza se ela representa também os mórmons menos ativos, mas tudo bem – espero que possamos fazer isso uma próxima vez. Enquanto isso, esta é uma imagem muito boa. É uma imagem interessante dos mórmons”.

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