Somos constantemente bombardeados por estímulos. As empresas gastam bilhões de dólares todos os anos para chamar a nossa atenção. Somos atraídos por outdoors, anúncios  de TV e anúncios em nossos dispositivos eletrônicos. Também recebemos estímulos pessoais que vêm na forma de tentações para fazer coisas erradas ou como felicidade e incentivo para fazer o bem. Os estímulos fazem parte de nossa vida. Como escolhemos lidar com eles pode fazer toda a diferença.

Estímulos, multa de trânsito e arbítrio

Há muitos anos eu estava indo para o templo em uma manhã de primavera. Estava ouvindo as escrituras em CD, o céu estava com um tom de azul belíssimo, os pássaros pareciam estar cantando “Que manhã maravilhosa” em harmonia de 4 vozes e assim eu dirigia, sentindo-me nas nuvens. Era uma daquelas manhãs perfeitas, até que notei vários carros na minha frente sendo parados pela polícia. Antes de perceber o que estava acontecendo, vi sirenes vermelhas e azuis pelo retrovisor. Eu tinha sido pega por um radar e era culpada.  Meu coração ficou pesaroso, meu orgulho ferido e, infelizmente, minha maior preocupação era que talvez alguém que eu conhecia poderia me ver.

Quando o policial gentil terminou de escrever a minha multa, ele a entregou a mim e disse: “Tenha um bom dia, senhora”.

Tenha um bom dia?  Como eu poderia ter um bom dia? Fiquei assombrada com a rapidez com que sentimentos de escuridão, falha e vergonha tomaram conta de mim.

Reação imediata

Meu pensamento imediato foi “Como posso entrar no tempo agora? Não estou digna para entrar na Casa do Senhor”.

Dei meia volta e comecei a dirigir devagar em direção à minha casa. Meus pensamentos estavam me impedindo de ouvir Espírito.  Bem rápido, minha mente começou a listar todas as minhas fraquezas pessoais enquanto eu me espancava mentalmente. Eu havia recebido um estímulo. Havia cometido um erro que poderia ser restituído e com o qual eu poderia aprender. Mesmo assim, estava permitindo a mim mesma ser tomada de escuridão. Enquanto isso acontecia comigo, em vez de continuar nesta rota de negatividade, consegui me recompor (ver Lucas 15: 17).

Decidi abrir o coração em oração e expressar meu amor ao Pai Celestial e pedir perdão a Ele por escolher as trevas depois de receber a multa. Também pedi Sua ajuda para ver com olhos espirituais o que estava acontecendo de fato.

Lição que aprendi

Durante aqueles momentos, um Pai amoroso me ajudou a ver que eu estava permitindo o que mentiras entrassem no meu templo pessoal. Receber uma multa por excesso de velocidade não tinha nada a ver com o meu valor como filha de Deus. Naquele momento, desejei ainda mais a luz, o refúgio e a paz do templo do Senhor.

Dei meia volta com o carro e, em lágrimas, voltei para o curso inicial de olho no velocímetro.

Aprendi por intermédio desta e de outras experiências, que esta vida é projetada para fornecer luz de modo perfeito e todas as oportunidades das quais precisamos para desenvolver músculos espirituais e por meio da paciência e da dependência em nosso Salvador tornarmo-nos como nosso Pai Celeste.

Nossas oportunidades

Intrínseco a cada estímulo de fazer o que é errado, existe a oportunidade de crescimento espiritual. Com certeza este é o motivo de Jacó o irmão de Néfi ter nos aconselhado:

Animai-vos, portanto, e lembrai-vos de que sois livres para agir por vós mesmos (2 Néfi 10:23)

Quando os estímulos vierem, e eles virão, Jacó está dizendo: “Seja feliz. Temos o arbítrio e a capacidade de escolher a reação do que acontecer com você, seja um mau motorista a frente, um adolescente que leva uma advertência na escola, as contas que estão se empilhando, a pneumonia que não sara ou as roupas para estender no varal.

Todas estas coisas existem para nosso crescimento espiritual, se conseguimos enxergá-las como realmente são e ser gratos.

Dois caminhos

Ao refletir sobre a minha experiência da multa a caminho do templo, reconheço que tive duas escolhas. Poderia continuar segurando o meu escudo de fé, aprender com a experiência e seguir meu caminho para o templo ou permitir que o policial e a multa arruinassem o resto do meu dia. Ao escolher a primeira opção, eu estaria dizendo ao policial: “Aqui senhor, estou entregando a você o meu arbítrio. Agora você pode controlar a mim e minhas emoções. Neste momento escolho ter um dia ruim.

Ao fazermos um esforço diário para vencer nossos estímulos, começamos a ter mais controle de nossa vida. As pequenas coisas não nos incomodam tanto porque conseguimos enxergá-las como realmente são, oportunidades concedidas por nosso Pai Celestial para tornarmo-nos como Ele é.

Adaptado do discurso feito pela irmã Jones na Semana da Educação da BYU em 21 de agosto de 2018

Fonte: LDS.org

Relacionado:

Irmã Joy D. Jones Fala do Valor das Almas Logo Após o Funeral de um Filho